Queda histórica na produção industrial do Japão e Europa tenta salvar bancos

Demissões em cascata foram anunciadas nesta sexta-feira no Japão, num ambiente de indicadores catastróficos, enquanto que, na Europa, os Estados tentam encontrar a melhor forma de salvar seus bancos mais frágeis.

AFP |

Baixa recorde da produção, alta brutal do desemprego, consumo em queda livre confirmam a gravidade da recessão no Japão, onde as empresas vêm anunciando perdas colossais e demissões em massa.

Segundo estatísticas oficiais, a produção industrial despencou 9,6% em dezembro em relação ao mês passado - um novo recorde histórico -, a taxa de desemprego disparou 0,5%, para 4,4%, o consumo das famílias acelerou sua queda iniciada há dez meses (-4,6%) e a volta da deflação se confirmou na segunda economia mundial, os preços ao consumo aumentaram apenas 0,2% em um ano.

Estas péssimas notícias macroeconômicas foram seguidas de uma enxurrada de anúncios das empresas atingidas em cheio pela crise econômica mundial. A NEC vai cortar 20.000 empregos no mundo e terminar profundamente no vermelho no exercício 2008-2009. A Hitachi vai demitir 7.000 pessoas e encerrar o ano com um gigantesco prejuízo líquido de 700 bilhões de ienes (5,8 bilhões de euros).

Além disso, segundo o jornal Nikkei, o gigante automobilístico Toyota deve anunciar uma perda de exploração colossal para o exercício 2008-2009 (que termina em março) de 400 bilhões de ienes (3,3 bilhões de euros) em vez dos 150 bilhões previstos em dezembro.

A Bolsa de Tóquio refletiu este dia negro com uma queda de 3,12% no fechamento.

Os mercados europeus iniciaram o dia com prudência, à espera da divulgação da primeira estimativa do PIB para o quarto trimestre nos EUA. Por volta das 10H30 (7H30 de Brasília), Franckfurt ganhava 0,48%, Paris 0,51% e Londres 0,67%.

A atenção ficou centrada na situação dos bancos mais frágeis. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, criticou nesta quinta-feira os mercados, dizendo que eles exigiam uma parte dos capitais dos bancos muito elevados.

Na Bélgica, o governo anunciou um novo acordo sobre a venda do BNP Paribas de ativos belgas da holding financeira Fortis, na qual o grupo francês se nega a compra o essencial das atividades de seguro.

É uma tentativa do Estado belga e do BNP Paribas acalmar os ânimos dos pequenos acionistas do Fortis em um caso que já levou à demissão do primeiro-ministro belga, Yves Leterme.

O outro grupo franco-belga, Dexia, socorrido no fim de setembro pelos governos francês, belga e luxemburguês, anunciou a demissão de 900 pessoas, ou seja 2,5% de seus efetivos, para realizar 200 milhões de euros de economias este ano.

O banco anunciou paralelamente uma perda líquida estimada em 3 bilhões de euros em 2008.

Na Alemanha, uma reunião foi marcada para esta sexta-feira na chancelaria em Berlim para estudar a criação de uma estrutura para comprar os ativos invendáveis dos bancos.

Esta estrutura compraria os ativos podres dos bancos com o objetivo de revendê-los mais tarde, quando a situação será normalizada.

Ainda na Alemanha, o sindicato dos serviços Verdi convocou greves de advertências para a próxima semana para apoiar as reivindicações salariais dos 700.000 empregados do setor.

Na França, o governo prevê "dados ruins" para o desemprego em dezembro, que serão anunciados na segunda-feira. A quinta-feira de manifestações em massa reuniu entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas num movimento de protesto contra a política econômica do presidente Nicolas Sarkozy.

far/lm

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