Queda do desemprego nos EUA aumenta incerteza sobre economia

Por Jorge A. Bañales Washington, 2 mai (EFE) - O índice de desemprego nos Estados Unidos caiu de forma inesperada em abril, até 5%, o que, somado ao leve aumento das encomendas às fábricas, eleva a incerteza sobre a situação do país.

EFE |

O Departamento de Trabalho americano informou hoje que em abril a economia perdeu 20 mil postos de trabalho - muito menos que os 78 mil previstos pelos analistas-, com o que o índice de desemprego baixou para 5%, quando os analistas esperavam que subisse até 5,2%.

A secretária de Trabalho dos EUA, Elaine Chao, descreveu os dados como "melhor que o esperado", principalmente porque ocorre em um momento de desaceleração econômica, que muitos pensavam que levaria o país a uma recessão.

"Apesar de continuarmos vendo reduções do emprego na construção e nas fábricas, o setor de serviços mostrou um animador aumento de 90 mil postos de trabalho", acrescentou.

Mas a presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, da Califórnia, qualificou o relatório de "decepcionante" e acrescentou que "muitas pessoas temem perder seu emprego, muitas temem perder suas casas, e todos se preocupam com a queda de seu padrão de vida".

Segundo Pelosi, a economia americana perdeu desde janeiro 260 mil empregos, mas os dados do Departamento de Trabalho dos EUA indicam que a redução foi de 180 mil.

Em qualquer dos cálculos, a perda de empregos supera a média de 121 mil registrada nos quatro primeiros meses da recessão de 2001.

O relatório de hoje mostra, ainda, que o salário dos trabalhadores cresceu apenas 0,1% em abril, como reflexo da desaceleração da atividade econômica.

As fábricas tiveram uma perda de 46 mil postos de trabalho em abril, principalmente aquelas que produzem bens de consumo duráveis.

A construção perdeu no mês passado 61 mil empregos e, desde seu auge, verificado em setembro de 2006, o setor perdeu 457 mil postos de trabalho.

Já o setor de serviços, que inclui as companhias de seguros, os bancos, os restaurantes e o comércio no varejo, teve um aumento de 90 mil empregos em abril, o maior número registrado até o momento no ano.

O Departamento de Comércio americano informou hoje também que os pedidos de bens às fábricas dos Estados Unidos aumentaram 1,4% em março, muito mais que o previsto pelos analistas e devido principalmente às encomendas de computadores e maquinarias.

Se forem excluídos os bens de transporte, que são os mais caros por unidade, os pedidos subiram 2,2%, a maior alta em um ano.

As encomendas de bens duráveis subiram, em março, 0,1%.

A maioria dos analistas esperava um crescimento de 0,2% nos pedidos às fábricas, e o dado de hoje mostra um aumento de 2,6% nas encomendas de bens não duráveis, o maior desde novembro.

Os dados levam incerteza em um panorama econômico no qual o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) marcou um ritmo de 0,6% durante seis meses e o número de desempregados chega a 7,6 milhões, isto é, 800 mil pessoas a mais que há um ano.

Mais de 1,4 milhão de pessoas procuraram emprego e não conseguiram encontrar por mais de seis meses, e os preços dos alimentos subiram a um ritmo anual de 5% durante os últimos três meses.

Agora, a atenção está centrada no efeito que terão os US$ 150 bilhões que começaram a ser distribuídos esta semana entre 130 milhões de contribuintes, via devolução de impostos.

A Administração Bush e o Congresso que se digladiaram pelo estímulo em fevereiro passado esperam que os consumidores dediquem o valor para comprar bens e serviços e dêem um empurrão à economia.

Alguns analistas suspeitam de que os consumidores usarão o dinheiro principalmente para pagar dívidas e alimentos e combustíveis, cada vez mais caros. EFE jab/db

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