A questão segredo bancário e evasão fiscal levantada entre o banco suíço UBS e a justiça americana chegou a um impasse nesta quinta-feira, menos de 24 horas após um acordo amigável com Washington.

A justiça dos Estados Unidos está exigindo informações sobre 52.000 clientes americanos titulares de contas secretas ilegais no banco suíço UBS e que somariam 14,8 bilhões de dólares.

O ministério público americano anunciou em comunicado que havia apresentado queixa contra o UBS em Miami (Flórida, sudeste), o que forçará a justiça a obrigar o banco suíço a liberar as informações.

Já o UBS fez saber que brigaria na justiça para rejeitar esta demanda que questiona o próprio princípio do segredo bancário "suíço". E pretende contestar, recorrendo também à justiça contra o pedido feito pelo fisco americano.

Em comunicado publicado por sua assessoria em Nova York, o UBS considerou que o acordo amigável concluído quarta-feira com as autoridades americanas, em virtude do qual aceitou pagar 780 milhões de dólares para encerrar o caso, lhe dá argumentos para contestar as exigências do fisco.

O caso relança, com efeito, o debate sobre a pedra angular das finanças helvéticas.

"O sigilo bancário permanece intacto", garantiu o presidente e ministro suíço das Finanças, Hans Rudolf Merz, afirmando que a lei suíça "não protege os sonegadores".

Já muito abalado pela crise dos 'subprime', o estabelecimento de Zurique aceitou pagar 780 milhões de dólares à justiça americana para encerrar um caso de fraude fiscal, e assumiu o compromisso de fornecer as identidades dos clientes que ajudou a escapar do fisco.

Apesar das declarações tranquilizadoras do presidente, a medida abalou um pouco mais a confiança no banco UBS e no sigilo bancário, a coluna vertebral da praça financeira suíça.

As acusações de fraude fiscal contra o UBS nos Estados Unidos ameaçavam a própria "existência" do banco, destacou a Finma, a autoridade dos mercados financeiros.

O acordo concluído nesta quinta-feira entre o UBS e a justiça americana permitiu evitar processos que teriam custado muito caro às finanças do banco, já abaladas por uma perda anual de 19,7 bilhões de francos suíços, explicou a Finma.

No entanto, o acordo também põe fim ao procedimento oficial de ajuda mútua empreendido pelos Estados Unidos com as autoridades suíças, uma situação denunciada pela Associação Suíça dos Banqueiros (ASB) que "lamentou" que o departamento de Justiça americano não tenha "respeitado a via judicial".

O acordo provocou a disparada das ações do UBS na Bolsa suíça. durante a tarde, o título registrava uma alta de 4,67%, pulando para 12,78 francos suíços.

Já o Liechtenstein, vizinho da Suíça, anunciou na quarta-feira estar disposto a ampliar sua cooperação com a UE para combater a sonegação e acabar com sua imagem de "paraíso fiscal".

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