Queda de avião militar mata pelo menos 98 na Indonésia

(atualiza o número de mortos e inclui declarações do presidente indonésio) Jacarta, 20 mai (EFE).- Já são pelo menos 98 os mortos após a queda de um avião militar hoje na ilha de Java, na Indonésia, no que foi o mais grave da série de acidentes aéreos ocorridos nos últimos três meses no país.

EFE |

As vítimas fatais são 11 tripulantes da aeronave, três pessoas que residiam na região do acidente e os demais passageiros, segundo fontes militares.

O avião transportava 13 tripulantes e 96 passageiros, entre eles dez crianças. A maioria dos ocupantes era de integrantes da Força Aérea indonésia, alguns dos quais viajavam com suas famílias.

O acidente ocorreu às 6h20 locais (18h30 de Brasília) próximo à cidade de Madian na província de Java Oriental, a 520 quilômetros ao leste da capital, Jacarta.

"Tudo o que sei é que o estado do avião era bom. Por isso, o acidente foi provocado, provavelmente, pelo mau tempo, pelo motor, por um erro humano ou por outros fatores", disse aos jornalistas em Jacarta o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono.

O presidente disse ter ordenada uma investigação completa do acidente e que convidou o ministro da Defesa indonésio, Juwono Sudarsono, e os chefes militares para realizar uma reunião para falar do acidente.

Vários moradores da área relataram a rádios locais que escutaram uma forte explosão e que, logo em seguida, uma das asas se desprendeu da aeronave, que então começou a voar baixo sobre um grupo de casas antes de explodir e se partir em dois ao cair no meio de um arrozal.

Os hospitais próximos receberam 15 feridos pela queda do avião, muitos deles com fraturas e traumatismos, em estado crítico, segundo fontes médicas.

A televisão indonésia mostrou imagens da selva em chamas no local do acidente, onde soldados trabalham entre colunas de fumaça para retirar em macas improvisadas os corpos das vítimas, com queimaduras visíveis.

Ainda não se sabe a causa do acidente. De acordo com as primeiras investigações, o piloto obteve a autorização para decolar da torre de controle.

A aeronave, de modelo Hércules C-130, transportava participantes de manobras militares de Jacarta ao leste de Java.

Há uma semana, a chefia da Força Aérea indonésia ordenou a inspeção de todos os aviões da frota de Hércules C-130, depois de um deles sofrer um acidente em um aeroporto da remota região de Papua sem o trem de aterrissagem traseiro.

Já há quase 20 anos, a Aeronáutica da Indonésia sofre com a falta de recursos financeiros e de peças de reposição. Tanto os altos comandantes, quanto o Governo, admitem que é necessário um forte investimento para modernizar sua obsoleta frota.

Uma fonte militar revelou que o Hércules que caiu está em atividade desde a década de 70.

A maioria dos aviões deste modelo, muitos de segunda mão, foi adquirida entre 1960 e 1975.

Em 1999, os Estados Unidos impuseram à Indonésia um embargo de fornecimento de material de defesa alegando que o país não cumpriu seu compromisso de velar pela segurança do Timor-Leste durante o processo consultivo para a independência do território.

A falta de segurança no setor aéreo indonésio se estende à aviação civil, admitem as autoridades locais por causa dos sete acidentes com aviões de gravidade distinta que ocorreram nos últimos três meses e que vitimaram 128 pessoas.

Desde 2007, a Indonésia sofreu uma série de acidentes aéreos que mataram quase 200 pessoas e levaram a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) a incluir as companhias aéreas do país asiático na "lista negra" de empresas que são proibidas de sobrevoar o espaço aéreo comunitário por descumprir a normativa de segurança.

Dois anos após adotar a medida, Bruxelas elogiou os esforços dos indonésios para melhorar a segurança aérea, mas mantém o veto às companhias aéreas de um país cujo índice de acidentes no ar é de 2,1 por cada milhão de voos. EFE jpm/bba

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