Podgórica, 5 abr (EFE).- Montenegro tem quatro candidatos à Presidência nas eleições deste domingo.

O pleito será o primeiro presidencial desde que o país proclamou sua independência, em 2006.

O atual presidente montenegrino, Filip Vujanovic, que está no cargo desde 2003, é candidato pelo Partido Democrático dos Socialistas (DPS) para prorrogar seu mandato. Parte como grande favorito.

Três candidatos da dividida oposição montenegrina tentarão impedir que Vujanovic ganhe já no primeiro turno, como prevêem algumas das pesquisas divulgadas.

A tarefa caberá a Nebojsa Medojevic, do Movimento por Mudanças (PZP), a Andrija Mandic, do Partido Popular Sérvio de Montenegro (SNS), e a Srdjan Milic, do Partido Socialista Popular (SNP).

Segundo pesquisa do Centro para Democracia e Direitos Humanos (Cedem), com sede de Montenegro, Vujanovic obteria 53% dos votos.

Medojevic e Mandic ficariam com pouco menos de 20%, e Milic teria cerca de 10%.

As leis montenegrinas prevêem que no caso de nenhum dos candidatos atingir no primeiro turno mais da metade dos votos válidos, haverá necessidade do segundo turno, que seria realizado em até duas semanas.

As pesquisas divulgadas dão conta de uma provável alta participação nas urnas. São esperados nos centros eleitorais 74% dos 490 mil eleitores montenegrinos com direito a voto.

Os quatro candidatos à Presidência compartilham da opinião de que Montenegro deve aderir à União Européia (UE), e defendem que as reformas exigidas por Bruxelas para que a incorporação venha a ocorrer sejam atendidas o mais rápido possível.

Vujanovic também defende a entrada de Montenegro na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), objetivo que conta com a oposição enérgica de Mandic e Milic. Medojevic considera que são os cidadãos que deveriam decidir sobre o tema, por meio de plebiscito.

Com relação ao Kosovo, os pró-sérvios Mandic e Milic disseram que nunca reconhecerão a independência do território, que vêem como parte da Sérvia, enquanto Vujanovic e Medojevic insistem em garantir que não têm pressa para tomar uma decisão a respeito - preferem esperar que todos os países da UE se pronunciem.

Embora o cargo de presidente não tenha em Montenegro atribuições de Poder Executivo, Vujanovic prometeu que acabará com o problema do desemprego até o término de seu segundo mandato, caso seja eleito neste domingo.

Vujanovic assegura que sua permanência na chefia de Estado seria uma garantia de que haverá novos investimentos estrangeiros, e promete apostar em infra-estruturas, sobretudo estradas no norte do país, região com maior número de opositores a sua administração.

Também disse que seu fracasso levaria a uma queda nos índices de desenvolvimento de Montenegro.

Vujanovic é um dos colaboradores mais próximos do premiê Milo Djukanovic, líder indiscutível de Montenegro e cujo partido, o DPS, está no poder desde o começo da década de 1990.

Djukanovic acompanhou Vujanovic em inúmeras ocasiões durante a campanha, para explicar aos eleitores que os dois compartilham das mesmas idéias políticas.

Medojevic, por sua vez, critica de forma implacável o Governo.

Promete reduzir a pobreza, lutar contra a corrupção e o crime organizado e fala em pôr fim "à política que fez com que alguns enchessem seus bolsos com o que foi construído por muitas gerações".

"Temos a oportunidade de mudar pelo menos uma parte do poder e de controlá-lo democraticamente pela primeira vez", reiterou Medojevic em seus comícios de campanha.

O candidato do PZP acusou o serviço de segurança estatal de comprar documentos de identidade de vários cidadãos para que estes votassem no candidato da situação, e sem que precisassem ir às urnas.

Já Mandic, pró-Sérvia, diz contar com uma equipe de analistas ambiciosos, capazes de atrair investimentos para Montenegro e impulsionar o desenvolvimento da economia para criar "milhares de postos de trabalho".

Além disso, Mandic assegurou que se chegar ao poder formará um novo Estado em comum com a Sérvia.

Montenegro proclamou sua independência em 3 de junho de 2006, após um plebiscito. Na ocasião, a vitória apertada dos favoráveis à separação da Sérvia evidenciou uma profunda divisão da sociedade montenegrina, entre os independentistas e os pró-Sérvia.

Srdjan Milic, do SNP, defendeu durante a campanha "mais justiça social e a existência de um verdadeiro poder do povo", com promessas de melhores salários, luta contra a corrupção e crescimento econômico. EFE Dp-Sn/fr

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