Quase 40% de menores britânicos já receberam torpedos sexuais, diz pesquisa

Uma pesquisa realizada com mais de 2 mil jovens com idade entre 11 e 18 anos na Grã-Bretanha sugere que 38% deles já recebeu mensagens de conteúdo sexual explícito por celular ou e-mail. A sondagem entrevistou 2.

BBC Brasil |

094 jovens e foi desenvolvida pela ONG britânica Beatbullying, que trabalha na prevenção de formas de assédio na comunidade britânica.

Os resultados da pesquisa indicam que entre as mensagens mais comuns recebidas pelos jovens estão imagens de meninos expondo seus órgãos genitais ou se masturbando, mensagens de meninos pedindo a meninas que tirem suas roupas e imagens de atos sexuais que podem ser consideradas pornográficas.

A pesquisa indica ainda que 38% dos participantes haviam recebido um torpedo ou e-mail com conteúdo sexual explícito ou perturbador. Desses, 36% eram meninos e 39% eram meninas.

Um total de 70% dos jovens que receberam esse tipo de mensagem conhecia o remetente.

A pesquisa revelou ainda que cerca de 45% das mensagens recebidas pelos jovens vieram de um colega, 23% de um namorado ou namorada e apenas 2% foram enviadas por adultos.

Segundo a Beatbullying, as inovações nas tecnologias digitais estão criando mais oportunidades para comportamentos anti-sociais de ordem sexual.

Internet
Os resultados da sondagem indicam também que, entre os entrevistados, 29% relataram estar participando de uma conversa online quando alguém começou a falar sobre temas sexuais ofensivos ou perturbadores.

Em 45% dos casos, a pessoa que iniciou a conversa sexual era um colega, em 10% dos casos, um ex-namorado e, em 2% dos casos, um adulto.

A ONG ressalta que esse tipo de material é frequentemente divulgado ao ser transferido e acrescentado a sites criados em casa e a sites de relacionamento, ou circulado por e-mail ou torpedos.

Depoimento
Uma adolescente de 16 anos de idade que preferiu não revelar seu nome disse ao programa Newsbeat, da BBC, que sua vida se tornou um inferno após ela ter enviado ao namorado um vídeo em que ela aparecia em atos sexuais.

"Ele deixou o celular em algum canto e os colegas pegaram o aparelho", afirmou a jovem.

O vídeo foi distribuído a escolas e colégios vizinhos e a menina teve de parar de estudar por algum tempo.

"Quando voltei, foi um inferno", disse. "Nunca consegui deixar isso para trás. Pessoas que não conheço ainda gritam e me dizem palavrões".

Mas uma outra adolescente disse à BBC que não "há nada de errado em enviar torpedos ou e-mails sexuais".

"Eu mando fotos o tempo todo. Se você está à vontade com seu corpo, por que não?", perguntou.

'Epidemia'
Segundo a diretora da ONG Beatbullying, Jane Cross, a intenção da pesquisa "não é inibir os jovens em sua exploração da sexualidade mas é importante que os pais e as escolas estejam conscientes".

"Precisamos encarar o fato de que o contato sexual entre adolescentes está sendo facilitado de forma exponencial pelas novas tecnologias", disse Cross.

O envio de torpedos ou e-mails de conteúdo sexual explícito é parte do que a entidade chama de cyberbullying, situação em que alguém ou um grupo de pessoas tenta deliberadamente magoar, ofender, ameaçar ou humilhar outra pessoa por meio da internet.

Em uma tentativa de combater o que a Beatbullying considera uma "epidemia de intimidação e perseguições", a entidade criou um site de relacionamentos para jovens onde qualquer pessoa sofrendo algum tipo de assédio, dentro e fora da internet, pode procurar apoio de outros jovens.

O site foi batizado de Cybermentors (mentores cibernéticos, em tradução literal).

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG