Quase 25% dos russos esperavam resposta mais dura contra Geórgia

MOSCOU (Reuters) - Quase um quarto dos russos acredita que o presidente Dmitry Medvedev não foi enérgico o suficiente no conflito com a Geórgia em torno da Ossétia do Sul, mostrou uma pesquisa divulgada na segunda-feira. Cerca de 37 por cento dos entrevistados afirmaram que a postura de Medvedev durante o embate havia sido adequada. No entanto, 23 por cento defenderam que a resposta da Rússia fosse mais dura e agressiva.

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A pesquisa, realizada pelo Centro Panrusso para a Opinião Pública (VTsIOM), é a primeira a tratar da atuação do presidente desde que ordenou a imensa operação militar na vizinha Geórgia.

Outros 28 por cento afirmaram não ter ouvido os comentários de Medvedev a respeito do conflito. Para 7 por cento, e ele deveria ter sido mais cauteloso, e 4 por cento disseram que era difícil responder.

'A maioria dos russos é favorável à presença militar', afirmou à Reuters Olga Kamenchuk, diretora de comunicações da VTsIOM.

A divulgação dos resultados coincide com a promessa feita pelo presidente, na segunda-feira, de lançar uma 'resposta esmagadora' no caso de qualquer cidadão russo vir a ser atacado no futuro.

O motivo pelo qual tantas pessoas desejam uma resposta mais enérgica da parte do governo tem relação com as expectativas criadas durante os dois mandatos do hoje ex-presidente Vladimir Putin, disse Kamenchuk.

Segundo a especialista, Medvedev tentaria imitar seu antecessor.

Atualmente, Putin ocupa o cargo de primeiro-ministro, mas muitos analistas acreditam que ele é o verdadeiro manda-chuva nos bastidores do poder.

Pouco depois do começo do conflito, o premiê apareceu em público percorrendo uma área próxima da zona de guerra. Ali, reuniu-se com soldados feridos e com refugiados.

Medvedev mobilizou as Forças Armadas russas para expulsar da Ossétia do Sul as forças georgianas, presentes ali para tentar garantir a retomada, pela Geórgia, do controle sobre a região.

Depois de rechaçar as forças georgianas, os russos, apesar das críticas feitas por potências ocidentais, bombardearam alvos na Geórgia e ingressaram em várias cidades do país.

'Acho que um dos motivos para o resultado da pesquisa é o chamado 'efeito Putin'. Durante seus dois mandatos, ele (Putin) desempenhou o papel do cara durão. Medvedev, com o passar do tempo, dá declarações cada vez mais duras', afirmou a analista.

'Ele está mais parecido com a imagem assumida pelo presidente anterior nos momentos de crise'.

A VTsIOM entrevistou 1.594 pessoas em 46 regiões da Rússia, entre os dias 10 e 13 de agosto, do ápice do conflito até quarta-feira. A margem de erro é de 3,4 pontos percentuais.

Outros detalhes da pesquisa divulgados no fim de semana mostraram que 54 por cento dos russos culpavam a Geórgia pelo conflito e outros 22 por cento culpavam os EUA. Apenas 1 por cento considerou Medvedev responsável.

(Por Conor Sweeney)

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