Quarteto de Madri pede a Israel fim de assentamentos

Emilia Pérez Londres, 2 mai (EFE) - Em um esforço para impulsionar o processo de paz, o Quarteto de Madri para o Oriente Médio pediu hoje a Israel que interrompa a construção de assentamentos e que os países doadores, especialmente os árabes, cumpram seus compromissos políticos e financeiros. Os chefes da diplomacia de Estados Unidos, Rússia, e União Européia (UE) e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniram hoje em Londres para analisar a situação do processo de paz, que registrou poucos avanços desde a conferência de Annapolis (EUA), em novembro de 2007. O quarteto dos principais negociadores do conflito expressou seu firme apoio às negociações em curso entre israelenses e palestinos e incentivou as partes a fazerem todos os esforços possíveis para alcançar até o fim do ano o acordo, desejado por todos, que permita a criação de um Estado palestino. Sei que há ceticismo, mas acho que há uma chance de se conseguir um acordo até o fim do ano. E, para isso, vamos trabalhar todos os dias, disse hoje a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

EFE |

No entanto, o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, também presente em Londres, se mostrou pessimista em relação à possibilidade de se alcançar um acordo até o fim do ano.

Ele afirmou que Israel não estava cumprindo suas obrigações existentes no Mapa de Caminho, documento que norteia as conversas.

"Se as coisas continuarem por esse caminho, é pouco provável que possamos cumprir esse objetivo", disse Fayyad, para quem a situação é "muito preocupante".

Após constatar "os progressos visíveis" registrados no processo, EUA, Rússia, UE e ONU reconheceram, em comunicado conjunto após a reunião, que há "muito mais" a se fazer para melhorar a situação no terreno e manter o processo político "nos trilhos".

E, por isso, o Quarteto de Madri fez pedidos a todos.

Assim, convocou as partes em conflito a cumprirem os compromissos do Mapa de Caminho e não fazer nada que possa abalar a confiança ou prejudicar o resultado das negociações.

Para Israel, pediu que "congele todas as atividades relacionadas com os assentamentos", incluindo o que se refere ao crescimento natural das colônias, e retire os postos fronteiriços levantados desde março de 2001.

E à ANP, que cumpra seus compromissos de combater o terrorismo e acelerar a reconstrução de sua estrutura de segurança.

Porém, seus apelos foram além das partes em conflito e, com o olhar fixo nos Estados árabes, o Quarteto pediu a todos os países doadores à ANP que tornem realidade as promessas que fizeram na conferência de Paris de dezembro passado, quando comprometeram um total de US$ 7,4 bilhões em ajuda.

"Claramente, quando se assume um compromisso, deve-se cumprir, e esta será minha mensagem", disse hoje Rice.

Em uma segunda reunião realizada também hoje, em Londres, desta vez de doadores à ANP, a Presidência norueguesa do grupo disse que, "se não forem recebidas ajudas adicionais, pode haver um déficit de US$ 400 milhões na segunda metade de 2008".

Fayyad também advertiu de que a entidade palestina pode ficar sem dinheiro no fim do mês de junho.

Tanto o Quarteto como os representantes dos países doadores expressaram sua "profunda preocupação" com a situação humanitária em Gaza, onde Israel mantém um bloqueio desde que, em junho do ano passado, o Hamas expulsou de Gaza as forças leais ao presidente da ANP e líder do movimento nacionalista Fatah, Mahmoud Abbas.

"A vida ali é extremamente miserável", disse hoje o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, para quem não resta outra opção a não ser a reabertura das passagens fronteiriças.

De Londres, a secretária de Estado americana viaja para a região em um novo esforço para revitalizar o processo de paz antes da visita do presidente americano, George W. Bush, que deve ir a Israel, Arábia Saudita e Egito entre 13 e 18 de maio. EFE ep/rb/db

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