Madri, 6 fev (EFE).- O narcotraficante espanhol Carlos Ruiz Santamaría, preso há nove meses no Centro de Detenção Penitenciária de Pinheiros, em São Paulo, mantinha seu anonimato no Brasil graças a uma documentação falsa de muita qualidade.

Ruiz Santamaría, conhecido como "El Negro", era procurado pela Justiça espanhola desde dezembro de 2001, ano em que fugiu do país pouco depois de deixar a prisão.

Não foi possível confirmar a verdadeira identidade do narcotraficante até esta quinta-feira, informaram hoje fontes policiais.

Ele está preso em Pinheiros desde 2 de maio de 2008, quando foi detido por narcotráfico e apresentou uma identidade com o nome de Manoel Oliveira Ortiz, natural de Minas Gerais.

Sua verdadeira identidade foi descoberta por agentes do Departamento de Pesquisas sobre o Crime Organizado (Deic), ao examinar as atividades ilegais de uma empresa que estava em nome de Oliveira Ortiz.

Os investigadores descobriram que, apesar de uma de suas empresas estar registrada como de serviços de limpeza, tinha atividades totalmente diferentes, como aluguel de aviões.

"Uma empresa de limpeza que passa a negociar com aviões é uma empresa que tem características de lavagem de dinheiro do narcotráfico", disse à agência Efe um porta-voz do Deic.

Posteriormente, durante um interrogatório, os agentes notaram que apesar de falar bem português, o preso deixou escapar algumas palavras em espanhol, e, ao ser descoberto, admitiu que usava uma identidade falsa.

Os policiais cruzaram as informações obtidas no interrogatório com dados da Interpol e chegaram à conclusão de que se tratava de Ruiz Santamaría, que na Espanha afirmou ser de nacionalidade mexicana, o que negam as autoridades do México.

Segundo a Polícia, ele é apontado como ligação entre os cartéis colombianos na Europa e suspeito de ter sido sócio do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, preso em São Paulo em 2007 e extraditado aos Estados Unidos.

Na Espanha, ele é acusado de manter uma base de distribuição de cocaína para a Europa, segundo a Polícia de São Paulo. EFE edr/mh

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