Quadrinhos na França mostram Carla Bruni como manipuladora

A edição inicial de um livro de histórias em quadrinhos sobre o primeiro ano do governo do presidente francês Nicolas Sarkozy, que mostra a suposta influência da primeira-dama, cantora e ex-top model Carla Bruni, em assuntos de Estado já se esgotou pouco após seu lançamento na França. Os 80 mil exemplares de Carla & Carlito ou la vie de château (Carla e Carlito ou a vida de palácio, em tradução livre), escrito por um famoso jornalista francês, foram quase todos vendidos em apenas três semanas.

BBC Brasil |

A segunda edição terá cerca de 15 mil exemplares e será lançada no final desta semana, disse à BBC Brasil Laurent Muller, fundador da Editora 12 bis.

Carla & Carlito é o terceiro livro de histórias em quadrinhos sobre Sarkozy do jornalista Philippe Cohen (autor da obra A face oculta do Le Monde) e dos roteiristas Richard Malka e Riss, também desenhista.

Em seu primeiro livro ilustrado sobre Sarkozy, Cohen lançou um estilo que ficou conhecido na França como "história em quadrinhos investigativa".

O primeiro volume contou a biografia de Sarkozy, desde sua infância, e toda sua trajetória política com base em fatos reais, inúmeros livros e declarações oficiais ou anônimas.

Humor
Como nos livros anteriores, Carla & Carlito começa com um evento imaginário e transcorre misturando fatos reais a diálogos e situações repletas de humor, que resultam das investigações ou da imaginação dos autores.

Carla & Carlito começa no ano de 2011. Em uma espécie de clínica, cinco personagens tentam se desintoxicar do "sarkozysmo".

Entre eles, sua ex-mulher Cécilia, o primeiro-ministro, François Fillon, chamado no livro de "senhor Ninguém" (uma referência à presença constante de Sarkozy em todas as áreas, diminuindo a atuação do chefe do governo) e a socialista Ségolène Royal, rival nas eleições presidenciais.

Por meio de relatos, documentos e até piadas, os autores fazem um balanço do período de um ano e meio do mandato de Sarkozy, durante o qual a ex-top model Carla Bruni também teve grande destaque.

'Maria Antonieta'
Bruni é retratada no livro de duas formas. O primeiro estilo é de uma "burguesa boêmia new age", com o violão nas mãos, descalça, partidária da esquerda, a artista do Palácio do Eliseu, sede da Presidência.

Mas a primeira-dama também aparece como a rainha Maria Antonieta, apelido que teria sido dado pela ministra da Justiça, Rachida Dati.

Carla é apresentada como fria, calculista, preocupada com seu guarda-roupa e com a promoção de seus discos.

Ela teria assumido a estratégia de comunicação em relação à imagem do presidente, como uma relações públicas, e seria uma espécie de "guru" no Palácio do Eliseu.

Influência
Bruni teria dito a Sarkozy, por exemplo, para não falar mais sobre seus planos de interromper a carreira política em 2012 e ganhar dinheiro dando palestras.

Ela também utilizaria a imprensa para promover a imagem do presidente francês.

Bruni também aproveitaria sua influência sobre Sarkozy para interferir em assuntos do governo, dizem os autores do livro.

A primeira-dama teria impedido, por exemplo, que um assessor assumisse um cargo prestigioso na área cultural e teria também, recentemente, impedido a extradição para a Itália de uma ex-membro da organização Brigadas Vermelhas, condenada pelo assassinato de um policial.

A imprensa francesa já afirmou que algumas decisões de Sarkozy foram influenciadas pela primeira-dama, mas a história em quadrinhos dá mais detalhes, com frases e desenhos humorísticos, e revela ainda outros casos em que Bruni teria solicitado a atuação do presidente.

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