Pyongyang: "testes militares de EUA e Coreia do Sul representam perigo"

Exercícios militares conjuntos entre os dois países vão acontecer entre os dias 25 e 28 de julho

EFE |

Hanói - A Coreia do Norte advertiu que as manobras militares conjuntas que os Estados Unidos e a Coreia do Sul planejam iniciar nos próximos dias representam um "grave perigo". A advertência foi feita pelo porta-voz da delegação oficial da Coreia do Norte, Ri Tong il, durante a reunião que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) realiza em Hanói, capital do Vietnã.

"A decisão de realizar manobras militares representa um grave perigo para a segurança da região", disse o funcionário da delegação norte-coreana liderada pelo ministro de Assuntos Exteriores, Pak Ui Chun. Os exercícios militares acontecerão entre os próximos dias 25 e 28 no Mar do Leste (Mar do Japão), e terão participação do porta-aviões George Washington, além de 20 navios de guerra e caças de combate F-22, segundo comunicado da Junta do Estado-Maior sul-coreano e das forças americanas.

Atualmente há cerca de 28.500 soldados dos EUA na península coreana como poder dissuasório perante um eventual da Coreia do Norte. "Se os EUA estão realmente interessados na desnuclearização da península coreana, devem parar esses exercícios militares e as sanções que destroem o diálogo", acrescentou o porta-voz norte-coreano em encontro com a imprensa no centro de convenções de Hanói, sede das reuniões.

A advertência coincidiu com a chegada a Hanói da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que viajou à capital do Vietnã desde a Coreia do Sul, onde quarta-feira anunciou novas sanções ao regime de Pyongyang. Hillary vai participar da reunião da Asean. Durante sua estadia em Hanói, a secretária de Estado manterá, além disso, várias reuniões bilaterais, incluindo uma com o chanceler chinês, Yang Jiechi.

A China também se mostrou contrária às manobras militares conjuntas dos EUA e Coreia do Sul em águas sul-coreanas. O porta-voz norte-coreano acrescentou que as sanções dos EUA são uma "violação" do documento aprovado no último dia 9 de julho pelo Conselho de Segurança da ONU. Neste documento, o Conselho pediu a plena adesão ao armistício que encerrou a Guerra da Coreia em 1953, embora também condenou, sem citar Pyongyang, o afundamento do navio de guerra sul-coreano "Cheonan", no qual morreram 46 marinheiros, e que foi atribuído a um míssil norte-coreano.

Está previsto que as sanções a Coreia do Norte anunciadas por Hillary e a tensa situação provocada desde março passado na península coreana pelo ataque ao navio dominem as conversas do fórum regional de segurança da Asean. Os ministros da Asean e da China recusaram condenar de forma explícita o ataque ao "Cheonan" no comunicado conjunto emitido quarta-feira ao final do encontro que mantiveram com seus colegas da Coreia do Sul e do Japão.

Após duas longas reuniões e apesar da oposição do Japão e da Coreia do Sul - que pediram para incluir uma condenação explícita - os ministros indicaram no texto: "deploramos o incidente sobre o afundamento do 'Cheonan' e o aumento da tensão na península da Coreia". Os ministros da Asean confiam que a presença em Hanói dos chefes da diplomacia dos países que participam das conversas de seis lados facilite os contatos informais para que sejam encontradas condições que permitam retomar o diálogo. A Asean é formada por Brunei, Mianmar, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã, país que ocupa a Presidência rotativa do grupo regional.

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