Pyongyang exige da ONU pedido de desculpas por críticas a foguete lançado

Seul, 29 abr (EFE).- A Coreia do Norte cobrou hoje do Conselho de Segurança (CS) da ONU um pedido de desculpas pela condenação ao recente lançamento de um foguete, e, caso não o receba, ameaçou fazer um teste nuclear.

EFE |

Segundo o jornal japonês "Sankkei", esse teste pode acontecer em julho, quase três anos depois que, em 9 de outubro de 2006, Pyongyang provocou uma grave crise internacional ao realizar uma inédita experimentação atômica.

Hoje, o regime comunista também disse que tem a intenção de testar um míssil balístico de alcance intercontinental, numa medida de defesa própria para "proteger os interesses da república", destacou um porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, citado pela agência oficial "KCNA".

Ao cobrar desculpas e fazer novas ameaças, Pyongyang atribuiu toda a responsabilidade de seus atos ao CS, que condenou o lançamento de um foguete de longo alcance no último dia 5 e, na sexta-feira passada, impôs sanções a três empresas vinculadas às atividades militares do país.

"Se o Conselho de Segurança da ONU não se desculpar imediatamente, adotaremos como medidas de defesa própria o teste nuclear e o teste de um míssil balístico intercontinental", afirmou nesta quarta-feira o porta-voz da Chancelaria norte-coreana.

Após saber das sanções aplicadas, que proíbem o país comunista de importar e exportar alguns produtos, o Governo norte-coreano anunciou no sábado que voltou a processar barras de combustível nuclear com a intenção de extrair plutônio.

Fontes oficiais sul-coreanas acham que a Coreia do Norte seria capaz de fabricar uma ou duas bombas atômicas com o plutônio extraído das 8 mil barras de combustível nuclear que armazena em sua principal usina atômica, a de Yongbyon.

Com a retomada desse processo, o país cumpriu o anúncio feito menos de duas semanas antes sobre seu rearmamento nuclear e seu desligamento das negociações multilaterais, das quais também participavam Rússia, Estados Unidos, Japão, China e Coreia do Sul.

Em outubro de 2006, a Coreia do Norte provocou uma grave crise internacional ao realizar um teste atômico três meses após o lançamento de sete mísseis, entre eles um Taepodong-2 de longo alcance.

Nesse mesmo mês, o CS aprovou a resolução 1.718, que impôs sanções comerciais e armamentísticas à Coreia do Norte e que agora foi a base das últimas decisões das Nações Unidas.

Apesar do teste nuclear e dos lançamentos norte-coreanos feitos à época, alguns meses depois o diálogo multilateral com foco na desnuclearização do regime comunista foi retomado em Pequim.

Hoje, o regime comunista norte-coreano anunciou ainda que construirá um reator de água leve para produzir energia nuclear, uma exigência que o Pyongyang tinha levado em 2005 ao diálogo de seis lados com o argumento de que utilizaria o equipamento apenas com fins pacíficos.

De acordo com a agência sul-coreana "Yonhap", a construção desse reator neste momento é um sinal de que Pyongyang pretende retomar seu programa de enriquecimento de urânio.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Coreia do Norte destacou que, de qualquer maneira, as decisões da ONU "não terão um impacto no país, que já sofreu várias sanções e isolamentos das forças hostis durante décadas". EFE ce/sc

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