Pyongyang e Seul trocam disparos em disputada fronteira marítima

Cecilia Heesook Paek. Seul, 27 jan (EFE).- As duas Coreias trocaram hoje disparos de artilharia perto de sua disputada linha fronteiriça no Mar Ocidental (Mar Amarelo), onde Pyongyang anunciou manobras militares, que Seul considera uma provocação planejada.

EFE |

Entre as 9h05 e 10h16 local (22h05 e 23h16 de Brasília de ontem), o Exército norte-coreano realizou 30 disparos de artilharia a partir de sua costa em direção à fronteiriça Linha de Limite do Norte, em uma zona onde ontem decretou a exclusão de navegação até 29 de março.

Os projéteis caíram em águas norte-coreanas, mas a zona de exclusão determinada pela Coreia do Norte adentrava em águas da Coreia do Sul, indicou a agência "Yonhap".

As forças de Seul responderam ao fogo norte-coreano com uma centena de disparos "de advertência" de canhões "Vulcan" de entre três e quatro quilômetros de alcance, informou o Estado-Maior sul-coreano.

Uma fonte da Casa Presidencial em Seul precisou que as duas partes dispararam para o alto, por isso não houve vítimas nem danos materiais.

Cerca de seis horas depois desta primeira troca, a Coreia do Norte voltou a realizar uma nova rajada de disparos e advertiu que são exercícios militares "anuais" que "continuarão nas mesmas águas também no futuro", segundo a agência estatal norte-coreana "KCNA".

Também insistiu em que "ninguém pode questionar as manobras planejadas que o Exército norte-coreano realiza em suas águas", e reiterou que, no Mar Ocidental, só existe a linha fronteiriça traçada por seu país, em rejeição à Linha de Limite do Norte, estabelecida no final da Guerra da Coreia (1950-1953) por tropas da ONU lideradas pelos Estados Unidos.

Após uma reunião de urgência em Seul com a presença, entre outros, dos ministros da Defesa, Kim Tae-young, e da Unificação, Hyun In-taek, o Ministério da Defesa enviou um comunicado à Coreia do Norte no qual lamentou seus atos "ameaçadores" e solicitou que abandone estas ações de provocação.

Seul qualificou de "grave provocação" o fato de que a área de não navegação declarada pela Coreia do Norte incluísse águas sul-coreanas, e advertiu a Pyongyang que "responderá com firmeza".

No entanto, o ministro da Unificação sul-coreano disse que, apesar do incidente, será mantida a reunião de trabalho entre as duas Coreias para falar sobre o complexo industrial de Kaesong programada para 1º de fevereiro.

Segundo a agência "Yonhap", a Coreia do Sul considera que os disparos norte-coreanos são uma provocação planejada de baixa intensidade para gerar tensão, mas não tão intensa para impedir a cooperação intercoreana e o diálogo com os Estados Unidos.

A conflituosa fronteira marítima no Mar Amarelo é uma zona de constante tensão militar onde as duas Coreias mantiveram graves confrontos armados em 1999 e 2002, além de um enfrentamento naval em novembro do ano passado.

Vários analistas sul-coreanos concordaram hoje em que o mais recente incidente busca aumentar a tensão na península e, assim, pressionar os EUA a negociar um tratado de paz que substitua o atual armistício que colocou fim à Guerra da Coreia.

Também afirmaram que as manobras podem ser destinadas a "encorajar" o setor militar norte-coreano.

Há duas semanas, a Coreia do Norte ameaçou o Sul com uma "guerra santa", em resposta aos supostos planos de invasão de Seul e de Washington em caso de instabilidade política no país comunista.

No entanto, apesar das ameaças, as duas Coreias realizaram na semana passada um encontro bilateral sobre o complexo industrial de Kaesong, localizado na Coreia do Norte, e tentam agora definir uma reunião para tratar da retomada do turismo além da fronteira. EFE ce-mic/an

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