Pyongyang desafia críticos e afirma que satélite está em órbita

SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte insistiu nesta terça-feira que um satélite lançado no fim de semana está em órbita transmitindo hinos comunistas, apesar de autoridades norte-americanas e sul-coreanas garantirem que nenhum satélite chegou ao espaço. Nosso satélite está transmitindo os imortais cânticos revolucionários A Canção do General Kim Il-sung e A Canção do General Kim Jong-il, além de informações regulares à Terra, disse o jornal do Partido Comunista local, num artigo publicado pela agência estatal de notícias KCNA.

Reuters |

A Coreia do Norte lançou no domingo um foguete que passou sobre o Japão e caiu no mar 3.200 quilômetros depois. Oficialmente, a operação se destinava a lançar o satélite, mas os EUA e seus aliados asiáticos dizem que na verdade se tratou de um teste disfarçado do míssil de longo alcance Taepodong-2, capaz de atingir o Alasca.

Sanções da ONU em vigor desde 2006 proíbem a Coreia do Norte de testar mísseis, mas o regime comunista alega ter direito a um programa espacial pacífico.

Na segunda-feira, um militar norte-americano de alta patente disse que o lançamento não conseguiu demonstrar que a Coreia do Norte domina a tecnologia de foguetes com múltiplos estágios de propulsão, o que seria essencial para mísseis transcontinentais.

A Coreia do Norte, cuja propaganda alardeia o lançamento como sendo um retumbante sucesso, também afirma ter colocado em órbita um satélite em 1998, apesar de no exterior haver quase consenso de que aquela tentativa foi um fracasso.

Mesmo que tecnicamente a nova operação seja considerada um fracasso pelo menos parcial, analistas dizem que o lançamento de domingo mostra que a miserável Coreia do Norte aumentou muito o alcance dos seus mísseis, mesmo que o regime ainda esteja a anos de construir um míssil capaz de ameaçar diretamente o território continental dos EUA.

O fato também pode ajudar o líder Kim Jong-il a reforçar seu poder interno, depois de rumores sobre seu estado de saúde no ano passado, e a chamar a atenção das potências mundiais, fortalecendo sua posição nas negociações para que o país abra mão de armas nucleares em troca de concessões políticas e econômicas.

(Reportagem de Jon Herskovitz e Kim Junghyun)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG