Seul, 13 jun (EFE).- A Coreia do Norte disse neste sábado que nunca abandonará seu programa nuclear e ameaçou iniciar uma operação militar, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU autorizar a inspeção de navios suspeitos de levar armas para o regime comunista.

O país comunista afirmou, em uma declaração de seu Ministério de Assuntos Exteriores, que o processo de enriquecimento de urânio está "em fase de experimentação", e que usará o plutônio que armazena para construir armas nucleares.

O regime de Kim Jong-il advertiu ainda que "responderá de forma militar" se os Estados Unidos e outros países realizarem um "bloqueio" de seus navios, pois o considerará "um ato de guerra", informou a agência estatal norte-coreana "KCNA".

Uma resolução aprovada ontem pelo Conselho de Segurança da ONU amplia o embargo de armas e o bloqueio de ativos norte-coreanos, e autoriza a inspeção de navios e aviões suspeitos de transportar mísseis ou armamento nuclear para Pyongyang.

A tensão sobre a Coreia do Norte cresceu muito desde o dia 5 de abril, quando o país disparou um foguete de longo alcance. Em seguida, em 25 de maio, o regime comunista realizou seu segundo teste nuclear e lançou vários mísseis de curto alcance, em desafio às advertências de países como EUA, Japão e Coreia do Sul.

Esse teste nuclear foi punido ontem com a nova resolução da ONU que inclui sanções mais pesadas contra o regime comunista.

O texto foi aprovado com o apoio da China, principal aliado da Coreia do Norte e que hoje, mediante seu porta-voz de Exteriores, o qualificou como uma mostra "da oposição comum da comunidade internacional ao teste nuclear da Coreia do Norte".

Os Governos de Japão e Coreia do Sul aplaudiram hoje a nova resolução do Conselho de Segurança e se comprometeram a aplicá-la imediatamente.

"Queremos que a Coreia do Norte leve a sério a clara mensagem da comunidade internacional na resolução", disse o primeiro-ministro japonês, Taro Aso.

Já "o Governo sul-coreano pede que a Coreia do Norte aceite esta clara e decidida mensagem da comunidade internacional, para que desmantele totalmente seu programa nuclear e paralise toda a atividade relacionada a mísseis balísticos", disse o porta-voz do Ministério de Exteriores sul-coreano.

No entanto, as resoluções da ONU não conseguiram até agora acabar com as ambições nucleares do regime norte-coreano, que até agora negava ter um programa de enriquecimento de urânio, como suspeitavam os Estados Unidos, mas admitia avanços para extrair plutônio para construir armas nucleares.

"A resolução é mais dura se comparada com a última (adotada após o primeiro teste nuclear), mas estou preocupado com sua efetividade", indicou hoje Shigeo Iizuka, irmão de um dos cidadãos japoneses sequestrados pela Coreia do Norte, principal assunto de atrito entre Tóquio e Pyongyang.

Iizuka, presidente da Associação de Famílias de Vítimas Sequestradas pela Coreia do Norte e cujo irmão desapareceu em 1978, pediu que Japão e Estados Unidos aprovem sanções adicionais contra o regime stalinista.

Segundo a agência local "Kyodo", o Governo japonês deve aprovar até a terça-feira novas sanções unilaterais contra o país comunista, que incluiriam um veto total das importações e exportações.

A decisão terá um tom mais simbólico, já que as importações já estão proibidas com as sanções atualmente em vigor e a que as exportações japonesas à Coreia do Norte quase não chegaram aos 5,8 milhões de euros em 2008. EFE ce/mh

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