Pyongyang anula pacto de segurança naval com Seul

Em escalada de tensão na Península Coreana, medida aumenta risco de confrontos armados no Mar Amarelo

iG São Paulo |

A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira a anulação de um acordo que tem como objetivo evitar choques navais acidentais com a Coreia do Sul. A medida foi tomada em meio à crescente tensão entre as duas Coreias, após Seul ter acusado Pyongyang de afundar o navio de guerra sul-coreano Cheonan em março, que resultou na morte de 46 marinheiros.

© AP
Navios de guerra sul-coreanos participam de exercícios militares nesta quinta-feira

Uma investigação internacional concluiu que o navio foi atingido por um torpedo norte-coreano, mas o país nega ter tido responsabilidade no incidente.

Em um comunicado da agência de notícias oficial norte-coreana, o Exército do país disse que "anularia completamente o acordo bilateral que foi concluído para prevenir um possível choque no Mar Oeste da Coreia (Mar Amarelo)". "Por conta disso, vamos parar completamente de usar walkie-talkies internacionais marítimos e vamos cortar imediatamente a linha de comunicação que foi aberta para lidar com uma situação de emergência."

O anúncio foi feito horas depois de dez navios de guerra sul-coreanos terem realizado exercícios em preparação contra um possível ataque da Coreia do Norte. O Mar Amarelo já foi palco de conflitos mortais em 1999 e em 2002. Tecnicamente, os dois Estados permanecem em guerra desde que a guerra entre as Coreias terminou em 1953, sem um acordo de paz.

Tensão crescente

No comunicado, o país também ameaçou atacar imediatamente se a Marinha da Coreia do Sul violasse as disputadas fronteiras marítimas do Mar Amarelo, reiterando que consideraria bloquear o acesso a um projeto industrial conjunto na cidade norte-coreana de Kaesong.

Na última terça-feira, a Coreia do Norte anunciou que cortaria todas as relações com o Sul . O país também baniu navios e aviões sul-coreanos de seu território - uma medida ratificada no comunicado desta quinta-feira.

Um funcionário do Ministério da Defesa sul-coreano teria afirmado que o país vai lidar "firmemente" com as medidas do Norte, sem dar mais detalhes. A Coreia do Sul já tinha anunciado um pacote de medidas, incluindo o congelamento da maior parte do comércio com a Coreia do Norte . O país também vem pedindo interferência do Conselho de Segurança da ONU.

Apoio dos EUA a Seul

Em visita a Seul na quarta-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que seu país e a Coreia do Sul "trabalharão juntos" no Conselho de Segurança da ONU para definir uma resposta às "atitudes beligerantes" da Coreia do Norte.

Em entrevista coletiva ao lado do ministro sul-coreano de Relações Exteriores, Yu Myung-hwan, a chefe da diplomacia americana qualificou o afundamento da embarcação sul-coreana "Cheonan" como "uma provocação inaceitável" que "não pode ser ignorada". "Pedimos à Coreia do Norte que pare com essas provocações, ameaças e beligerâncias contra seus vizinhos e tome medidas para cumprir seus compromissos de desnuclearização", disse Hillary.

"A comunidade internacional tem a responsabilidade e o dever de responder", disse Hillary, que expressou também o "pleno apoio" dos EUA às medidas "prudentes e absolutamente apropriadas" anunciadas pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak.

*Com BBC , Reuters e AP

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