Pyongyang ameaça entrar em guerra contra a Coreia do Sul

Cecilia Heesook Paek. Seul, 9 mar (EFE).- A Coreia do Norte pôs hoje suas tropas em alerta para o caso de uma situação de gravidade e disse que disparos contra o satélite que pretende lançar significarão uma declaração de guerra, ao passo que Coreia do Sul e Estados Unidos deram início a manobras militares conjuntas na fronteira.

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Diante desses exercícios, Pyongyang, por meio de um porta-voz militar, reiterou que lançará seu satélite - que analistas temem ser, na verdade, um míssil -, e suspendeu a rede militar de comunicação com a Coreia do Sul, que ficará fechada até o fim das manobras.

A Coréia do Norte fez aumentar ainda mais a tensão na Península, que já estava elevada pela ameaça que fez na quinta-feira passada de atacar aviões civis sul-coreanos.

O porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, Kim Ho-Nyoun, pediu à Pyongyang que restabeleça imediatamente a comunicação militar e afirmou que as manobras conjuntas são rotineiras e defensivas.

Cerca de 30 mil americanos e sul-coreanos participarão desses exercícios até o dia 20, simulando uma guerra contra a Coreia do Norte.

A suspensão dessa rede de comunicação impediu hoje que cruzassem a fronteira os sul-coreanos que trabalham no complexo industrial de Kaesong, na Coreia do Norte, onde empresas da Coreia do Sul empregam mão-de-obra norte-coreana.

Além disso, o Governo de Kim Jong-il, reeleito ontem com 100% dos votos de um pleito ação de chapa única, sem oposição, deixou claro que, apesar das pressões internacionais, mantém seu plano de lançar "um satélite de comunicações".

A Coreia do Sul está em alerta desde que Pyongyang admitiu recentemente que prepara o lançamento de um satélite que, para os observadores sul-coreanos, é na verdade um míssil de longo alcance Taepodong-2 semelhante ao disparado em 2006.

Oito anos antes, em 1998, as Forças Armadas norte-coreanas lançaram seu precursor, o Taepodong-1, que inicialmente se tratava de um satélite de comunicações, o que reforça o temor sul-coreano.

EUA e Japão advertiram que têm tecnologia para abater esse satélite - ou míssil - com seus escudos antimísseis, caso a Coreia do Norte o lance, provavelmente antes de constituir a nova Assembleia Popular Suprema (Parlamento nacional), em abril.

Washington e Tóquio sustentam que o lançamento norte-coreano, seja um míssil militar ou um satélite, viola as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ministro porta-voz japonês, Takeo Kawamura, pediu hoje à Coreia do Norte que "seja comedida nas ações" que afetam a estabilidade da região.

Segundo especialistas, esse lançamento seria uma forma de o regime comunista consolidar seu poder e chamar a atenção do novo Governo americano de Barack Obama, visando às negociações de seis lados paralisadas há meses. EFE ce/jp/sc

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