Putin visita hidroelétrica e lamenta mortes em acidente

Moscou, 21 ago (EFE).- O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, visitou hoje a hidroelétrica Sayano-Shúshenskaya, cenário na segunda-feira passada de um dos acidentes industriais mais graves na história da Rússia pós-soviética, e lamentou as dezenas de mortes.

EFE |

Segundo os últimos números oficiais, pelo menos 26 pessoas morreram e outras 49 seguem desaparecidas devido ao acidente, que inutilizou três das dez unidades geradoras da usina, a maior da Rússia e uma das mais potentes do mundo.

O premiê, acompanhado pelo ministro de Emergência, Serguei Shoigu, e pelas autoridades locais, visitou a destruída sala de máquinas da central e conversou com os equipes de resgate e funcionários da hidroelétrica, como mostraram as TVs russas.

"Foi uma tragédia enorme", disse Putin a um dos membros das equipes de resgate, a quem agradeceu pelos esforços.

Já na reunião com os diretores da central e as autoridades locais, o primeiro-ministro voltou a destacar a magnitude do acidente, ao dizer que até os mais acostumados ficaram impressionados.

Putin anunciou que o Governo, além das indenizações que pagará a central, dará 1 milhão de rublos (US$ 30 mil) às famílias das vítimas.

A proprietária da Sayano-Shúshinskaya, RusHydro, tinha anunciado uma indenização de 1 milhão de rublos para cada empregado morto, mas o chefe de Governo disse hoje que as compensações devem se estender também aos familiares dos desaparecidos.

"A RusHydro e as autoridades da Khakássia (república na Sibéria onde está a central), com o apoio do Governo federal, devem adotar todas as medidas para garantir o emprego durante o período de reparos da hidroelétrica", disse o primeiro-ministro, citado pela agência oficial de notícias "RIA Novosti".

Putin ressaltou que é necessário elaborar um plano claro para consertar a central, tarefa que encomendou à RusHydro e ao Ministério de Energia.

"O plano deve ser elaborado e apresentado a uma comissão governamental dentro de seis semanas", explicou Putin.

O chefe de Governo ordenou também a elaboração de um projeto de uma norma governamental para regulação estatal dos preços da energia elétrica no mercado atacadista.

"Essa disposição deverá ser aplicada quando não houver concorrência, em condições de déficit de energia elétrica ou em casos de força maior", explicou o premiê, após saber que as companhias elétricas anunciaram aumento nas tarifas após o acidente na Sayano-Shuishénskaya.

Na véspera, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, pediu a Putin um relatório, a ser apresentado em duas semanas, sobre as causas do acidente.

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, Medvedev deu instruções ao chefe de Governo para que tome as decisões necessárias para pagar compensações aos familiares das vítimas.

O presidente também encarregou Putin de adotar medidas a fim de evitar o aumento dos preços da energia elétrica após o acidente na central, que fica no curso do Yeniséi, um dos grandes rios siberianos.

O acidente foi descrito pelo ministro da Energia, Serguei Shmatkó, como "o maior e mais misterioso da história da energia hidrelétrica", e cifrou em mais de US$ 1 bilhão o dinheiro necessário para consertar a sala de máquinas.

Como causas do acidente, as autoridades consideram a possibilidade de um aumento da pressão hidráulica nos encanamentos provocada por uma falha nas obras de reparo da central, inaugurada em 1978. EFE bsi/rr

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