Putin torna-se oficialmente presidente do partido governista Rússia Unida

Bernardo Suárez Indart Moscou, 15 abr (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, se tornou hoje oficialmente líder do Rússia Unida, partido governista que conta com maioria de mais de dois terços na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento.

EFE |

Por unanimidade os mais de 600 delegados presentes ao 9º Congresso do Rússia Unida elegeram Putin como novo presidente do partido, cargo que assumirá por um período de quatro anos imediatamente após deixar a Presidência russa, em 7 de maio.

O próprio chefe do Kremlin pediu que ele fosse investido no cargo assim que seu sucessor, o presidente russo eleito, Dmitri Medvedev, fosse empossado.

"Agradeço a proposta dos militantes do partido e de sua direção.

Muito obrigado. Estou disposto a assumir uma responsabilidade adicional e liderar o Rússia Unida", desta forma Putin aceitou a oferta de liderar a legenda, atualmente presidida por Boris Gryzlov, presidente da Duma.

O chefe do Kremlin destacou que nos sete anos desde a fundação do Rússia Unida o partido conseguiu "garantir a unidade e a cooperação de diferentes grupos sociais" e que, sem sua contribuição, "não haveria nada que pudesse ser considerado êxito nos últimos anos".

Gryzlov, a quem Putin pediu para continuar à frente da coordenação da atividade partidária, também convidou Medvedev a se filiar ao Rússia Unida, proposta recusada pelo presidente eleito.

"Sem dúvida o Rússia Unida é o partido dos meus correligionários e é a legenda da qual me aproximo ideologicamente, mas considero que participar diretamente de suas atividades ainda é prematuro", explicou Medvedev.

Ao mesmo tempo, o presidente russo eleito apoiou calorosamente a iniciativa de Putin de liderar o partido.

"Acho que se trata de uma proposta lógica e oportuna. O acordo do presidente (Putin) permitirá fortalecer o partido e estimulará a cooperação dos poderes Executivo e Legislativo em nível federal", declarou.

Medvedev acrescentou que o fato de Putin liderar o Rússia Unida "abrirá a perspectiva do partido na Rússia de um Governo que se apóie em uma maioria parlamentar".

O Rússia Unida tem cerca de dois milhões de militantes e possui 315 dos 450 assentos da Duma.

Medvedev já anunciou que, assim que for investido como presidente da Rússia, apresentará à Duma a candidatura de Putin ao cargo de primeiro-ministro.

Em seu breve discurso Putin deixou claro que, assim como antes, considera "inconveniente" que o chefe de Estado, quaisquer que sejam suas convicções políticas, lidere um partido político e que é "plenamente solidário" a Medvedev.

"Agora, no que refere ao presidente do Governo, a liderança do chefe do Executivo em um partido é uma prática civilizada, tradicional e natural dos Estados democráticos", disse o chefe do Kremlin.

Putin reiterou sua aceitação à proposta de assumir a chefia do Governo, cargo exercido por ele entre 1999 e 2000 e que, segundo suas palavras, "exige consultas diárias com o corpo de deputados e a ajuda de partidários no Conselho de Federação (Câmara Alta)".

O presidente russo não se limitou a enumerar as vantagens do fato de o primeiro-ministro ser o líder de um partido com arrasadora maioria parlamentar, mas também falou da necessidade de reformar a legenda.

O partido "deve ser mais aberto ao debate e considerar a opinião dos eleitores. É necessário acabar com a burocracia e saneá-lo de gente adventícia (de fora), cheia de interesses", declarou.

"Os tempos mudam. Temos muitas coisas interessantes pela frente.

As estruturas de nossa sociedade são renovadas e o sistema político do Estado russo deve se desenvolver de acordo com estas mudanças", declarou Putin. EFE bsi/wr/fal

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