Putin quer voltar ao Kremlin para mandato de seis anos

Em entrevista a jornal russo, primeiro-ministro disse ainda que manifestantes de passeatas sem autorização merecem apanhar

Reuters |

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, político mais importante do país, sugeriu na segunda-feira que deseja voltar à presidência em 2012, para mais um mandato de seis anos. Disse ainda que manifestantes que fazem passeatas sem autorização merecem apanhar.

Em uma entrevista em que o jornal Kommersant perguntou se Putin não estaria preocupado com a eleição presidencial de 2012, pois ela já estaria decidida, ele respondeu: "Não, ela me interessa (...) como a todos", respondeu Putin. "Na verdade, mais do que a qualquer um, mas não quero fazer disso um fetiche"

AFP
Putin: Não quero transformar desejo de voltar ao Kremlin em fetiche
Putin foi presidente de 2000 a 2008, antes de entregar o cargo ao sucessor que escolhera, Dmitry Medvedev, que o nomeou primeiro-ministro. Putin não podia disputar um terceiro mandato consecutivo, mas em 2012 estará liberado para concorrer outra vez.

"O mais importante é que esses problemas de 2012 não nos tirem do caminho do desenvolvimento estável", acrescentou Putin.

Para alguns analistas, as declarações são sinal de que Putin anseia voltar ao Kremlin daqui a dois anos. A rádio Ekho Moskvy, que costuma dar espaço à oposição, começou uma pesquisa com ouvintes e 86% disseram "não" a um novo mandato de Putin. O resultado é condizente com as opiniões da classe média moscovita, audiência habitual da emissora, mas não da população como um todo, que continua tendo Putin em alta conta, segundo outras pesquisas.

De acordo com o Kommersant, a entrevista foi feita no Lada Kalina amarelo de Putin, no trajeto de 180 quilômetros entre Khabarovsk e Chita, no extremo oriente russo. O entrevistador foi Andrei Koleniskov, o jornalista preferido do político.

Na longa entrevista, Putin defendeu enfaticamente a repressão policial contra manifestantes pró-democracia nos últimos meses. Ele disse que é preciso obedecer às leis em vigor, que exigem autorização prévia das autoridades às manifestações.

"Se conseguirem (a autorização), podem fazer a passeata," disse Putin. "Se não, vocês não têm esse direito. Saiam sem permissão e vão apanhar na cabeça com cassetete. Só isso", alertou o primeiro-ministro.

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