Putin prevê vitória nas eleições e adverte contra interferências

Premiê e candidato à presidência discursou durante comício que reuniu milhares de partidários em Moscou

iG São Paulo |

O primeiro ministro russo, Vladimir Putin , alertou contra os perigos da influência estrangeira nesta quinta-feira e previu sua vitória na eleição presidencial de 4 de março durante um comício que reuniu milhares de eleitores e partidários em Moscou.

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EFE
Premiê russo, Vladimir Putin, faz discurso em comício em Moscou

Em um discurso de tom nacionalista, com uso de jargão militar, Putin convocou os simpatizantes que lotaram o estádio Lujniki: "Hoje somos defensores da pátria". "Não permitiremos que ninguém interfira em nossos assuntos internos", completou Putin no discurso por ocasião do Dia dos Defensores da Pátria, um feriado que substituiu o Dia do Exército Vermelho, da União Soviética.

Ao mencionar a batalha dos russos contra Napoleão em 1812, o premiê afirmou que "a batalha pela Rússia continua, a vitória será nossa". "Somos uma nação vitoriosa. Temos isso nos genes. A grande história é escrita com sangue e suor."

Ao menos 75 mil eleitores e partidários participaram do evento de apoio ao primeiro-ministro, favorito para as eleições presidenciais . Dez dias antes da votação, o comício é considerado uma resposta às grandes manifestações organizadas regularmente pela oposição na capital russa desde as polêmicas eleições legislativas de dezembro , vencidas pelo partido do chefe de governo , Rússia Unida.

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Putin buscou descreditar os protestos contra seu governo, acusando seus líderes de serem agentes pagos pelos EUA que trabalhavam para enfraquecer a Rússia. Suas declarações nesta quinta-feira foram mais sutis, com o premiê pedindo aos partidários que trabalhem para manter o país unido.

Em um breve, mas combativo discurso, Putin questionou seus simpatizantes: "Quero perguntar, vencemos?", ao que os seguidores, com bandeiras russas e cartazes, responderam em uníssono "Sim". "Pedimos a todos união ao redor do país, àqueles que consideram a Rússia como sua pátria, os que estão dispostos a protegê-la, os que amam e acreditam nela."

O evento ocorreu no estádio de Lijniki, com capacidade para 80 mil pessoas. O gramado também foi ocupado, assim como as proximidades da arena. "Vim para apoiar Putin. Desde que ele chegou, temos estabilidade e a Rússia é respeitada no exterior", afirmou Magomed Tadjev, 21 anos. "Não vejo ninguém que possa substituí-lo, não há oposição. Apenas Putin no momento."

Com o comício, o regime pretende calar as manifestações da oposição, acusada pelo regime de trabalhar para os ocidentais. A oposição e a imprensa independente acusaram o regime de pressionar e de pagar funcionários públicos a participar nas manifestações pró-governo.

Alguns presentes admitiram que compareceram ao comício de maneira forçada. "As pessoas não vieram de maneira voluntária, mas sim forçada. No trabalho afirmaram: 'Aceita'. Amanhã é feriado." O diretor de campanha de Putin, Stanislav Govorujin, negou as acusações. "Não obrigamos ninguém. Convidamos todo mundo", disse.

Putin tem quatro rivais, incluindo três líderes veteranos de partidos, que há muitos anos alcançaram uma posição cômoda com o Kremlin e não representam uma ameaça ao atual premiê. O único novato na disputa é Mikhail Prokhorov , um bilionário de 46 anos, proprietário do time de basquete New Jersey Nets.

EFE
Partidários do primeiro-ministro russo e candidato à presidência, Vladimir Putin, seguram bandeiras com seu rosto em marcha de apoio em Moscou
A candidatura de Prokhorov é considerada como um esforço do Kremlin para dar legitimidade à eleição e abafar o descontentamento dos manifestantes. Grigory Yavlinsy, um líder veterano do partido liberal Yabloko, não pôde concorrer.

Os candidatos comunistas e nacionaistas fizeram marchas separadas em Moscou nesta quinta-feira, com cada uma reunindo um público de 2,5 mil a 3 mil.

Putin espera ser eleito em 4 de março, depois de quatro anos como primeiro-ministro do presidente Dmitri Medvedev. Depois de ocupar a presidência entre 2000 e 2008, teve que abandonar o Kremlin, porque não poderia concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Com AFP e AP

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