Putin nega disputa com Medvedev para candidatura de 2012

Premiê e ex-presidente admitiu, no entanto, que tanto ele quanto o atual líder russo não descartam concorrer à presidência

iG São Paulo |

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, deu um basta nas especulações sobre sua rivalidade com o presidente Dmitri Medvedev em relação à eleição presidencial de 2012, destacando com autoridade que uma candidatura seria decidida em conjunto, na hora e no tempo certo.

"Nem Dmitri, nem eu, excluímos que algum de nós seja candidato à eleição. Levaremos em conta a realidade da situação com a aproximação do pleito", declarou Putin à televisão pública.

A declaração jogou um balde de água fria nas expectativas daqueles que viram uma abertura política no anúncio feito por Medvedev, no dia anterior, durante uma entrevista a um canal chinês, de que ele em breve tomaria uma decisão sobre 2012 e que o "tempo de mudanças" havia chegado.

AFP
Premiê Vladimir Putin fala em encontro em São Petersburgo (8/4/2011)
"A decisão deve certamente ser tomada um dia. Mas a eleição é somente daqui a um ano, e essa agitação não favorece a continuação normal do trabalho", acrescentou Putin. "Cada um tem de estar em seu lugar e arar seu pedaço de terra como São Francisco. Nós temos 143 milhões de habitantes e não se pode haver qualquer erro na administração do país", acrescentou.

Medvedev chegou em 2008 à Presidência russa com a ajuda de Putin, que foi seu antecessor e governou o país entre 2000 e 2008.

Putin, que desde então é primeiro-ministro e foi sempre considerado por muitos observadores o verdadeiro líder do país, pode escolher voltar ao Kremlin em 2012 após essa interrupção. A Constituição russa veta apenas mais de dois mandatos consecutivos.

Acordo

Tanto Putin quanto Medvedev informaram no passado que chegariam a um acordo na hora e no tempo corretos, de acordo com o interesse do país, com a proximidade da presidencial de 2012.

Mas recentes divergências sobre o caso Khodorkovski - ex-milionário preso desde 2003 -, e depois sobre a Líbia, no qual Putin parecia contradizer a posição do Kremlin ao denunciar uma nova "cruzada ocidental", relançaram as especulações sobre a rivalidade entre os dois.

O líder do partido de oposição Iabloko, Serguei Mitrokhin, avaliou nesta quarta-feira que a rivalidade surgida em relação a 2012 era uma encenação destinada a "criar a ilusão de uma concorrência". "Claro que é uma encenação arranjada desde o início. Ou eles já decidiram tudo ou já sabem que vão chegar a um acordo", disse.

Uma pesquisa do instituto de sondagens independente Levada, publicada nesta quarta-feira, mostrou ainda que mais de dois terços dos russos não acreditam em uma real rivalidade. Segundo a pesquisa realizada em março, 71% dos russos estimam que Medvedev e Putin “agirão em conjunto nos próximos dois ou três anos". Apenas 17% pensam que conflitos vão aparecer.

Ainda de acordo com o Instituto Levada, 80% dos russos estimam que Putin não perdeu sua influência sobre a vida política do país. Para esse instituto independente, apenas um quarto das pessoas entrevistadas (27%) estima que os cidadãos russos vão escolher realmente seu presidente em 2012 e quase 60% deles têm consciência de que a escolha será imposta pelo poder.

*Com AFP

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