Putin: "não esperava tanta arrogância, grosseria e falta de ética"

Para premiê russo, documento diplomático que o descreve como 'Batman' e Medvedev como 'Robin' tem o objetivo de 'desonrar' os dois

iG São Paulo |

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, expôs na quarta-feira seu mal-estar pelas caracterizações que os EUA fizeram dele e do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, nos telegramas diplomáticos revelados pelo site " WikiLeaks ", afirmando que não esperava tanta "arrogância, grosseria e falta de ética".

Em entrevista concedida a Larry King, da "CNN", Putin disse que as afirmações de diplomatas americanos em um dos telegramas de que ele é 'Batman' e Medvedev é 'Robin' têm o objetivo de "desonrar" os dois. "Para ser honesto, não esperávamos tanta arrogância, grosseria e de forma alguma tão pouco ética", disse Putin, que avaliou, no entanto, que o vazamento "não é uma catástrofe".

AP
Putin é visto durante entrevista transmitida na quarta-feira pela CNN
O primeiro-ministro também se referiu a um telegrama no qual o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse a seu colega francês que "a democracia russa desapareceu e o governo é uma oligarquia dirigida pelos serviços de segurança".

Putin rejeitou taxativamente essa afirmação e assegurou que Gates estava "muito errado", manifestando que as autoridades americanas não devem interferir nos assuntos internos da Rússia. Ele também disse que no momento adequado decidirá "de comum acordo" com Medvedev quem será o candidato nas eleições presidenciais de 2012 - se ele ou o atual presidente.

Na entrevista, Putin disse que a Rússia mobilizará armas nucleares e "forças de ataque" caso seja excluída do novo escudo antimísseis do Ocidente. Segundo o premiê russo, as ameaças contra a Europa precisam ser enfrentadas conjuntamente - uma referência ao recente acordo Rússia-Otan (Organização do Atlântico Norte) de cooperação na defesa antimísseis.

Mas, se as propostas russas forem rejeitadas e as instalações ocidentais de defesa criarem "ameaças adicionais" perto das fronteiras do país, "a Rússia terá de garantir a própria segurança" disse. Ele falou na mobilização de "novas forças de ataque" e de "novas tecnologias nucleares e de mísseis".

Tratado nuclear

Além disso, Putin advertiu a Washington que a Rússia desenvolverá novas armas nucleares se os EUA não ratificarem o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), assinado em abril por Medvedev e Barack Obama.

O primeiro-ministro russo também disse que "seria muito tolo" se os EUA ignorassem seus próprios interesses, mas se os americanos fizerem isso, "então teremos de reagir de alguma maneira".

O tratado - iniciativa de Obama - reduz os respectivos arsenais a um máximo de 1.550 ogivas nucleares cada um, um corte de 30% em relação ao limite estabelecido pelo tratado de Moscou de 2002, que expirou em dezembro de 2009.

A Duma, câmara baixa do Parlamento russo, indicou que só ratificará o tratado depois de sua aprovação pelos EUA. A oposição republicana ao governo de Obama afirma que precisa ter certeza de que o arsenal nuclear americano será modernizado e de que o tratado não dificultará os sistemas de mísseis de defesa.

Mas alguns republicanos já admitiram de maneira privada que não quiseram dar a Obama uma vitória diplomática antes das eleições de meio de mandato de 2 de novembro, que representaram uma dura derrota para os democratas.

Se Obama não conseguir a ratificação do tratado até o fim do ano, em 2011 será muito mais difícil, já que em janeiro os republicanos assumirão o controle da Câmara de Representantes e aumentarão a presença no Senado.

*Com EFE, AFP e Reuters

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