Moscou, 4 dez (EFE).- O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse hoje que espera mudanças positivas nas relações entre Rússia e EUA em janeiro, quando o presidente eleito americano, Barack Obama, assumir o cargo, e que seu país superará a crise financeira com mínimas perdas, prevendo um crescimento da economia próximo a 7% neste ano.

"Temos esperanças de que haja mudanças positivas nas relações com os EUA e, nestes momentos, nos estão chegando esses sinais", disse Putin em discurso ao vivo em um programa de televisão na qual responde às perguntas dos russos.

O ex-presidente destacou o fato de a Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan) retomar ontem os contatos com Moscou e, ao mesmo tempo, não conceder à Geórgia e à Ucrânia o Plano de Ação para a Adesão (MAP), considerado a ante-sala de entrada na entidade.

"Já temos ouvido analistas próximos ao presidente eleito (Obama) dizerem a ele e a seus assessores que não é necessário se precipitar nem se deve estragar as relações com a Rússia", disse.

E acrescentou: "Escutamos que é necessário revisar a utilidade do escudo antimísseis americano na Polônia e na República Tcheca", que Moscou considera uma ameaça direta para sua segurança.

Putin, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em maio, disse: "Se isto se aplicar na prática, nossa reação será adequada e nossos parceiros americanos notarão", ameaçou, em referência a mísseis que a Rússia poderia posicionar em represália em um enclave báltico próximo à Polônia.

Sobre a crise econômica, Putin disse que "a Rússia tem todas as possibilidades de superar este difícil período com as mínimas perdas. Temos suficientes reservas para isso".

Putin reiterou que o PIB crescerá este ano em torno de 6,8%, como o Governo russo calculou, com a produção industrial aumentando quase 5%, enquanto a agricultura "marcará este ano resultados históricos".

Segundo ele, "apesar da influência negativa da crise financeira mundial na economia russa, os resultados para este ano são bons: planejávamos crescer 7,5% e cresceremos perto de 7%".

Contudo, acrescentou, "todos os planos que tínhamos na esfera social, relacionados com os subsídios sociais e pensões, os cumpriremos".

No total, o canal de televisão estatal "Rossiya", organizador do projeto, recebeu quase 2,5 milhões de perguntas, para Putin responder cerca de 100 por mais de duas horas. EFE io/jp

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