Putin espera que caso de espiões não prejudique relação com EUA

Em encontro com ex-presidente Bill Clinton, premiê russo lamenta caso em momento de retomada de relações com Washington

AFP |

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse nesta terça-feira ao ex-presidente dos EUA Bill Clinton, de visita a Moscou, esperar que o episódio relacionado a uma suposta rede de espionagem da Rússia nos EUA não prejudique as relações entre os dois países num momento em que elas são retomadas , informaram as agências russas.

"A polícia foi um pouco longe e pôs as pessoas na prisão", declarou Putin ao receber Clinton em sua residência, nos arredores de Moscou.

Na semana passada, os presidentes russo, Dmitri Medvedev, e americano, Barack Obama, celebraram a nova fase das relações em um encontro em Washington, onde comeram hambúrguer em uma lanchonete e propuseram trocar o telefone vermelho da Guerra Fria pelo Twitter.

© AP
Os governantes usaram uma mesa de dois lugares ao lado dos tradutores e dividiram uma porção de batatas fritas
As declarações de Putin foram feitas depois de a diplomacia russa, em comunicado publicado nesta terça-feira, negar que os supostos espiões russos detidos nos EUA tenham agido contra interesses americanos. "Em relação às acusações feitas pelos EUA sobre um grupo de pessoas suspeitas de espionagem para a Rússia, informamos que diz respeito a cidadãos russos que estavam em território americano em momentos diferentes", indicou o Ministério das Relações Exteriores russo .

Volta à Guerra Fria

No comunicado, a chancelaria russa também pediu explicações sobre o episódio. "Em nossa opinião, tais ações não têm qualquer fundamento e são mal intencionadas", disse a diplomacia russa em comunicado. "Não entendemos as causas que levaram o Ministério da Justiça americano a fazer declarações públicas no espírito de 'histórias de espiões' do tempo da Guerra Fria ", afirmou o ministério russo.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, pediu explicações e ironizou o anúncio das prisões que aconteceram poucos dias depois da visita de Medvedev. "O momento do ocorrido foi escolhido com especial delicadeza", disse.

Cinco das dez pessoas detidas no domingo, nos Estados Unidos, compareceram na segunda-feira perante um juiz federal em Nova York, que ordenou que continuassem em prisão preventiva. Uma pessoa conseguiu escapar durante a operação.

Os detidos dizem ser de nacionalidade americana, canadenses e peruana, segundo as duas queixas apresentadas contra eles pela Justiça americana, mas a informação não foi confirmada. 

Todos foram acusados de atuar como agentes de um governo estrangeiro, o que envolve uma pena máxima de cinco anos de prisão. Além disso, nove estão sendo incriminados por participação em um esquema de lavagem de dinheiro, cada um podendo pegar uma pena máxima de 20 anos de cadeia.

A Grã-Bretanha e a Irlanda informaram nesta terça-feira que investigam informações sobre uma possível utilização de passaportes britânicos e irlandeses falsos por alguns dos suspeitos do caso.

O Serviço Russo de Inteligência Externa (SVR), primeiro na lista dos acusados das autoridades americanas, não quis fazer comentários. Segundo a Justiça americana, os suspeitos foram formados pela SVR para "obter informações", "infiltrando-se nos círculos políticos americanos". O desmantelamento da rede é o resultado de dez anos de investigação do FBI.

Os investigadores descobriram um arsenal de meios de comunicação, como uma técnica de codificação de dados em fotografias publicadas em páginas da web de pouca visibilidade e ainda rádios de ondas curtas para entrar em contato diretamente com Moscou.

O caso reúne todos os elementos de um romance de espionagem : mensagens codificadas, dinheiro em espécie entregue por emissários russos durante estadas em países latino-americanos, idas e vindas a Moscou através de Roma, passaportes falsos, transporte e entrega de computadores portáteis.

A SVR é sucessora da KGB, Serviço de Inteligência da União Soviética, onde trabalhou o premiê Putin. Desde a dissolução da URSS, a contra-espionagem e a inteligência interna são da responsabilidade do Serviço Federal de Segurança (FSB), dirigido por Putin de 1998 a 1999.

Putin se reunirá nesta terça-feira em Moscou com o ex-presidente americano Bill Clinton, mas eles não devem abordar o caso de espionagem, segundo o porta-voz do primeiro-ministro, Dmitri Peskov, citado pela agência Ria Novosti.

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