Bernardo Suárez Indart Moscou, 8 mai (EFE).- A candidatura de Vladimir Putin a primeiro-ministro da Rússia foi aprovada hoje pela Duma (Parlamento), com 392 votos a favor e 56 contra, uma votação recorde no país desde o fim da antiga União Soviética.

"Nunca antes um primeiro-ministro tinha obtido tamanho respaldo", disse o presidente da Duma, Boris Grizlov, logo após o resultado da votação aparecer no painel eletrônico do plenário.

Putin se tornou ontem um cidadão russo comum, ao entregar o governo do Kremlin a Dmitri Medvedev, seu sucessor na chefia do Estado. Porém, a situação durou pouco mais de 24 horas.

Medvedev se encarregou de todos os procedimentos necessários para a apresentação de seu candidato a primeiro-ministro.

Após dizer que Putin não "necessitava de grandes recomendações", Medvedev afirmou que seu antecessor fez muito pelo crescimento do Estado, e que durante seus oito anos de gestão mudou radicalmente a situação da Rússia no mundo.

"Voltaram a nos respeitar", disse o novo presidente.

Medvedev insistiu perante o Parlamento que trabalhará em estreita cooperação com Putin, como anunciara quando foi nomeado candidato à Presidência, em dezembro.

"Acho que ninguém tem nenhuma dúvida de que nossa cooperação, nossa parceria, só pode se fortalecer", disse Medvedev em discurso na Duma, transmitido ao vivo pela televisão local.

Putin expôs aos deputados as linhas gerais de seu programa de Governo, e fez referência a assuntos como a necessidade de se diminuir os impostos e de um melhor aproveitamento dos recursos orçamentários.

"Somos capazes, e devemos, nos próximos 10 ou 15 anos, ficar entre os países líderes em qualidade de vida", ressaltou.

Dos quatro grupos parlamentares, só os comunistas votaram contra Putin, conforme anunciou seu líder, Gennady Zyuganov, em discurso de réplica ao de Putin.

Zyuganov criticou duramente a gestão presidencial de Putin, e assinalou que muitas de suas conquistas foram obtidas graças à conjuntura internacional dos preços dos hidrocarbonetos, e que a natureza foi boa com a Rússia nesses último oito anos.

"Não houve secas, nem grandes temporadas de frio", disse o líder comunista.

Fazia tempo que Putin não se via diante de interpelações públicas, especialmente transmitidas ao vivo pela televisão.

"O mais importante que o senhor não conseguiu foi impulsionar o desenvolvimento e conservar as bases da democracia. As últimas eleições novamente demonstraram isso", disse Zyuganov para Putin.

As palavras do líder comunista, as únicas dissonantes na sessão de hoje da Duma, não agradaram a Putin, que respondeu a Zyuganov em seu discurso de agradecimento aos deputados.

"Um partido opositor, o Partido Comunista da Rússia, não votou (a favor da candidatura), não porque não tenhamos conseguido algo nos últimos anos, mas sim porque fizemos muito, e isso vai de encontro a suas ambições políticas", disse.

Pouco depois da sessão parlamentar, o serviço de imprensa do Kremlin informou que Medvedev assinou o decreto de nomeação de Putin como primeiro-ministro.

A partir de hoje, segundo o artigo 112 da Constituição russa, Putin tem um prazo de sete dias para apresentar ao presidente da Rússia a composição do novo Governo, e as propostas sobre a estrutura do Executivo federal.

Após oito anos como chefe do Estado, Putin, de 55 anos, volta a liderar o Gabinete de Ministros da Rússia. Entre agosto de 1999 e maio de 2000, ele teve sua primeira gestão como primeiro-ministro.

Em 31 de dezembro de 1999, na condição de chefe de Governo, Putin assumiu provisoriamente a chefia do Estado, após a renúncia de Boris Yeltsin. EFE bsi/rr/gs

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