Putin denuncia crimes do regime stalinista, mas nega responsabilidade russa

Moscou, 7 abr (EFE).- O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, denunciou hoje as repressões do regime stalinista, mas negou a responsabilidade do povo russo sobre os crimes cometidos pela União Soviética (URSS), como o massacre de milhares de oficiais poloneses em Katyn.

EFE |

"Durante décadas houve tentativas de se maquiar, com cínicas mentiras, a verdade sobre o massacre de Katyn", disse Putin, durante uma cerimônia em memória das vítimas das repressões políticas soviéticas dos anos 30.

Mas o premiê acrescentou que "seria igualmente falso culpar o povo russo. Acho que todos, tanto na Rússia quanto na Polônia, compreendem isto", segundo as agências russas.

Putin, que foi membro dos serviços secretos soviéticos (KGB, na sigla em russo), acusados de terem cometido muitos desses crimes, fez as afirmações durante um ato oficial realizado próximo à cidade russa de Katyn, que também contou com a presença do primeiro-ministro polonês, Donald Tusk.

"Estes crimes não têm justificativa alguma. Em nosso país já houve uma clara avaliação política, jurídica e moral sobre as maldades cometidas pelo regime totalitário. E esta avaliação não admite nenhuma revisão", disse.

O primeiro-ministro russo ressaltou que "a repressão humilhou pessoas sem levar em conta sua nacionalidade, convicções ou crenças" e que "a lógica era uma só: semear medo".

Por sua parte, Tusk assegurou que os poloneses "sempre acreditaram que a verdade é a melhor arma contra a violência" e que "todos os poloneses, em alguma medida, se sentem parte da grande família de Katyn, não só aqueles que perderam seus seres queridos".

Tusk manifestou sua confiança em que "a verdade uma os dois povos (Rússia e Polônia), que tanto sofreram e hoje buscam a reconciliação".

O nome da cidade de Katyn, próxima à fronteira com Belarus, é dado ao massacre realizado pelo KGB em 1940 e 1941 de 22 mil oficiais e civis poloneses, mortos com um tiro na nuca em território russo, ucraniano e bielo-russo.

O massacre de Katyn foi negado durante meio século pela URSS, que acusava as tropas nazistas, que, em seu avanço em direção ao Leste, em 1943, descobriram as valas comuns com os restos mortais dos militares poloneses assassinados. EFE io/pd

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