Putin deixa amanhã o Kremlin para se tornar primeiro-ministro

Moscou, 6 mai (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, deixa amanhã o Kremlin para se tornar primeiro-ministro e líder do partido majoritário no Parlamento, o Rússia Unida, plataforma que não podia ser melhor para preparar seu retorno à chefia de Estado.

EFE |

Putin, de 55 anos, deixa a Presidência após oito anos de gestão e sob grande popularidade, com aprovação próxima de 70%, por causa do preceito constitucional que impede o exercício da Presidência por mais de dois períodos consecutivos.

Considerado o homem que conseguiu acabar com o caos dos anos 1990 que começou após a desintegração da União Soviética, que relançou a economia russa e que recuperou posições de grande potência para o país, Putin parece longe de planejar sua aposentadoria.

Os números são os melhores indicadores das conquistas de sua gestão: a economia cresceu a ritmo de 7% ao ano, as reservas do país somam US$ 525 bilhões e os preços dos hidrocarbonetos continuam subindo.

Cientistas políticos e economistas têm diferentes pontos de vista sobre a influência da conjuntura internacional na estabilização da economia da Rússia, mas as pesquisas de opinião revelam que a maior parte dos russos atribui este mérito a Putin.

As críticas do Ocidente e dos opositores locais pelos retrocessos no âmbito democrático, na liberdade de imprensa e no respeito aos direitos humanos não afetam a opinião púbica russa.

A principal preocupação de Putin era encontrar uma fórmula sucessória que permitisse manter, por um lado, as políticas aplicadas nos últimos oito anos e, por outro, a coesão da elite dirigente em torno de seu projeto.

Para sua maior segurança, logo após anunciar seu apoio ao hoje presidente eleito da Rússia, Dmitri Medvedev, Putin expressou sua disposição de aceitar a proposta de seu afilhado político para liderar o Gabinete de Ministros.

A criação da dupla Medvedev-Putin gerou um grande debate sobre a viabilidade da fórmula por causa do regime fortemente presidencialista da Rússia e o possível surgimento de um segundo centro de poder, o Governo, até agora mero veículo executor das políticas elaboradas pelo Kremlin.

Além disso, mesmo sem ser militante do Rússia Unida, Putin foi eleito líder do partido, que conta com maioria de mais de dois terços na Duma.

Ontem, o jornal "Gazeta" afirmou que um projeto de lei para redistribuir as funções entre o chefe de Estado e o primeiro-ministro está sendo preparado, informação que o Kremlin se apressou em desmentir.

No entanto, já foi enviado à Duma um projeto de lei que libera o primeiro-ministro de várias obrigações rotineiras, para se concentrar nos assuntos estratégicos. EFE bsi/wr/fal

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