Putin defende mandato presidencial mais longo na Rússia

Por Oleg Shchedrov MOSCOU (Reuters) - O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse na quarta-feira apoiar uma prorrogação de dois anos no mandato do próximo presidente, mas que ainda é prematuro dizer se ele próprio será o beneficiário.

Reuters |

O presidente Dmitry Medvedev propôs que o próximo ocupante do Kremlin tenha seis anos de mandato, em vez de quatro. Muitos analistas viram nisso uma manobra para promover uma volta do próprio Putin, um ex-presidente que, sem poder disputar um terceiro mandato, deixou o cargo em maio, virou premiê e continua sendo o político mais popular e influente do país.

Um porta-voz de Putin rejeitou na semana passada o teor de uma reportagem segundo a qual haveria eleições antecipadas para permitir a volta dele à Presidência.

"Apóio a proposta de Dmitry Medvedev. No que diz respeito a quem pode disputar o próximo mandato e quando, é prematuro falar nisso", disse Putin em entrevista coletiva depois de um encontro com o primeiro-ministro finlandês, Matti Vanhanen.

Medvedev pediu na terça-feira ao Parlamento que aprove o projeto que prorroga o próximo mandato presidencial, alegando que o próximo chefe de Estado precisará de mais tempo para realizar reformas profundas.

O Kremlin disse que a mudança não se aplicará ao atual mandato de Medvedev, que foi eleito por ampla maioria por indicação de Putin.

"As propostas do presidente Medvedev relativas a mudanças na Constituição não têm uma dimensão pessoal", disse Putin. "Estamos buscando instrumentos que nos permitiriam garantir a soberania, implementar planos de longo prazo...e assistir o desenvolvimento dos processos democráticos no país."

Os projetos de lei apresentados por Medvedev devem ser rapidamente aprovados pelo Parlamento, dominado pelo partido Rússia Unida, de Putin.

A Constituição proíbe que os presidentes cumpram mais de dois mandatos consecutivos, mas não há restrições a uma volta após um intervalo.

Alguns observadores argumentam que a prorrogação do mandato presidencial poderia ser usada como pretexto jurídico para convocar eleições antecipadas.

(Reportagem de Oleg Shchedrov)

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