Putin critica ampliação da Otan, mas de forma menos agressiva

Marina Estévez Bucareste, 4 abr (EFE) - O presidente russo, Vladimir Putin, qualificou hoje de ameaça direta a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em direção a suas fronteiras, mas descartou uma ressureição da Guerra Fria, em um incomum tom amistoso e conciliador. Vamos ser amigos, meninos, e nos comprometermos com um diálogo franco e aberto, pediu Putin aos aliados em entrevista coletiva realizada ao término do Conselho Otan-Rússia, ao qual compareceu pela primeira vez desde sua criação, há seis anos. Todas as declarações coincidem em que, durante a reunião a portas fechadas com os 26 países-membros da Aliança, o presidente russo foi duro, mas não combativo, e se despediu dos líderes com agradecimentos e afirmando que durante seus oito anos de mandato fez o melhor que pôde na política internacional. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que também enfrenta seus últimos meses de mandato, agradeceu a Putin pelo tempo passado juntos, antes de reconhecer que alguns pensarão que nós dois somos velhos lobos de mar.

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"A Guerra Fria terminou: acredito sinceramente que a Rússia não é o inimigo", reforçou Bush em seguida.

Neste fim de semana, ambos se encontrarão de novo no balneário russo de Sochi, onde falarão sobre as divergências em torno do sistema de Defesa Nacional contra Mísseis que os EUA querem instalar na Europa.

Putin considerou o encontro de 90 minutos como "positivo", e contradisse com seu tom os que previam uma última atuação marcante na arena internacional, principalmente quando na quinta-feira foi aprovada a entrada na Otan de Albânia e Croácia e se prometeu a futura adesão de Ucrânia e Geórgia.

Mas o político russo destacou que tinha a impressão de que os aliados tinham lhe escutado quando defendeu que a Rússia aplicou unilateralmente as disposições sobre a redução de tropas contidas no tratado de Forças Armadas Convencionais na Europa (Face), enquanto os Aliados nem sequer ratificaram o acordo.

Além disso, a chanceler alemã, Angela Merkel, estimulou todos a encontrar, em breve, uma via de acordo, após ouvir seus argumentos.

No capítulo de críticas, o presidente russo criticou perante os aliados, segundo fontes que tiveram acesso aos bastidores da reunião, que "alguns países da Otan demonizaram a Rússia e falaram de suas ambições imperiais".

Também entrou na polêmica declaração de independência do Kosovo da Sérvia para ressaltar: "Dizem que agem de acordo com a resolução 1244 da ONU, mas se isso fosse verdade o Kosovo não seria independente".

Vários dos participantes agradeceram sua moderação e contenção exibidas, apesar da firme oposição russa ao processo.

Na entrevista coletiva posterior, Putin insistiu em que não fará concessões ao Ocidente às custas de sua própria segurança, e questionou a existência da Otan na era pós-soviética.

"Esta Aliança não é por si só uma resposta aos muitos dos desafios os quais enfrentamos, mas é uma realidade com a qual temos que lidar", disse o chefe de Estado russo, que também rejeitou o suposto caráter "democratizador" da organização.

Todos os líderes presentes no Conselho de hoje, que encerrou as atividades previstas por ocasião da Cúpula de Bucareste, coincidiram em que "valeu a pena" realizar a reunião. EFE met/db

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