Putin chega a Caracas para encontros com rivais dos EUA

CARACAS - O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, chegou nesta sexta-feira a Caracas para se reunir com dois rivais sul-americanos dos Estados Unidos e para lançar um projeto petrolífero de US$ 20 bilhões na bacia do Orinoco.

Reuters |

Putin vai discutir questões de energia, agricultura e defesa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Mais tarde, se reunirá com o presidente da Bolívia, Evo Morales. Chávez e Morales estão entre os principais críticos do "imperialismo" americano na América Latina.

AP
Chávez e Putin passam por tropas durante cerimônia de boas-vindas no aeroporto Simon Bolivar, em Caracas

Chávez e Putin passam por tropas durante cerimônia de boas-vindas


Chávez disse que Moscou e Caracas vão reforçar seus vínculos de segurança para "continuar aumentando a capacidade defensiva da Venezuela" e devem discutir também uma cooperação nuclear.

"Não vamos construir a bomba atômica, mas sim desenvolver a energia nuclear para propósitos pacíficos. Temos de nos preparar para a era pós-petróleo," disse Chávez, cujo país é um grande exportador de petróleo, durante reunião ministerial na noite de quinta-feira.

A Venezuela enfrenta uma crise energética que se reflete em constantes apagões, e o governo Chávez está recorrendo ao Irã e à Rússia para tentar desenvolver a energia nuclear.

Além disso, o país busca tecnologia e investimentos estrangeiros para explorar os depósitos de petróleo pesado do Orinoco e também empréstimos para pagar equipamentos militares comprados da Rússia - um valor equivalente a US$ 4 bilhões de dólares em caças Sukhoi, helicópteros e rifles Kalashnikov.

Em setembro, durante sua oitava visita a Moscou, Chávez obteve mais de US$ 2 bilhões em empréstimos para comprar mais armamentos russos, incluindo tanques e um avançado sistema antiaéreo S-300.

No ano passado, o governo americano manifestou preocupação de que a venda de armas russas à Venezuela, grande fornecedor de petróleo para os EUA, causasse uma corrida armamentista na região.

O ponto alto da visita de Putin será a criação de uma parceria entre a estatal local de petróleo PDVSA e um consórcio de firmas russas para explorar o campo Junin 6, na vasta bacia do Orinoco, que, segundo a Venezuela, possui as maiores reservas mundiais de hidrocarbonetos.

O projeto exigirá investimentos de US$ 20 bilhões de dólares ao longo de 40 anos, para produzir cerca de 450 mil barris por dia, ou quase um quinto da atual produção venezuelana de petróleo.

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