Putin causa rombo no orçamento russo para combater crise

Moscou, 19 mar (EFE).- O Governo russo admitiu hoje o fim da era dos petrodólares ao aprovar um plano anticrise de emergência e promover ajustes no orçamento, que pela primeira vez em uma década será deficitário.

EFE |

"Nos próximos anos, não poderemos mais contar com as super-receitas do petróleo (...) que resolviam nossos problemas de uma só vez", declarou o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, durante uma reunião com o seu gabinete.

Ao aprovar gastos de 1,6 trilhão de rublos (US$ 46,484 bilhões) para combater a crise, o Executivo russo fez o déficit orçamentário deste ano subir para 3 trilhões de rublos (US$ 87,158 bilhões), o equivalente a 7,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a agência "Interfax".

"Não é pouco, mas também não é muito. Considero que nossa atitude na situação atual é responsável", declarou o premiê.

A receita do Governo para compor o orçamento, inicialmente de 10,9 trilhões de rublos, agora será de 6,7 trilhões de rublos (US$ 194,653 bilhões). Já os gastos totalizarão 9,7 trilhões de rublos (US$ 281,810 bilhões), o que faz a conta fechar com o rombo anunciado de 3 trilhões de rublos.

O orçamento, com um PIB de 40,42 trilhões de rublos (US$ 1,174 trilhão), foi calculado a partir da previsão de que o petróleo russo da marca Urals alcançará este ano o preço médio de US$ 41 o barril.

Putin disse ainda que o déficit orçamentário será coberto com o dinheiro do Fundo de Reservas acumulado nos anos de bonança, mediante a rigorosa arrecadação de impostos e, em caso extremo, com empréstimos internos, não no exterior.

"Devemos levar em conta que o orçamento será deficitário não só este ano, mas, provavelmente, em vários outros", acrescentou. Porém, o problema será solucionado "com métodos civilizados" e "nunca" mediante a emissão de mais dinheiro, o que só geraria inflação, prometeu. EFE se/sc

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