Putin apóia ampliação de 4 para 6 anos do mandato presidencial

Moscou, 12 nov (EFE).- O primeiro-ministro o ex-presidente russo, Vladimir Putin, respaldou hoje a emenda constitucional proposta pelo presidente, Dmitri Medvedev -ex-primeiro ministro, lançado pelo próprio Putin como seu sucessor-, de ampliar de quatro para seis anos o mandato presidencial.

EFE |

"Apoio a proposta de Dmitri Medvedev. No que se refere a quem e quando se pode postular o próximo mandato presidencial, falar disso é prematuro", apontou em entrevista coletiva.

Putin ressaltou que essa e as outras emendas constitucionais propostas pelo presidente russo em 5 de novembro não têm uma "dimensão pessoal".

"Como é sabido, as propostas foram feitas no marco de um pacote para aperfeiçoar o funcionamento da administração pública na Rússia", disse.

O primeiro-ministro acrescentou que as autoridades russas "buscam medidas que permitam garantir a soberania no cumprimento dos planos em longo prazo e que não só não causem prejuízo mas, ao contrário, permitam o desenvolvimento dos processos democráticos no país".

Putin expressou sua convicção de que "os cidadãos russos e nossos parceiros estrangeiros se convencerão de que o sistema de gestão na Rússia funciona eficazmente".

Além disso, insistiu em que "não havia nada extraordinário" na proposta de Medvedev, já que há décadas na França o presidente exerce o cargo durante sete anos.

Medvedev remeteu ontem essa emenda à Duma (Câmara dos Deputados), que pode aprovar a modificação do artigo 81 da Constituição nesta própria sexta-feira.

Desta forma, quem se eleger nas próximas eleições presidenciais, previstas para 2012, poderá permanecer no poder até 2018.

Putin, presidente entre 2000 e 2008, sempre se negou a modificar a Constituição, especialmente no referido a permitir três mandatos presidenciais consecutivos, com o argumento que poderia pôr em perigo a estabilidade do país.

Caso seja aprovada, a proposta do presidente russo será a primeira emenda à carta magna pós-soviética desde sua aprovação em plebiscito, em 1993.

"Não se trata de uma reforma da Constituição, mas de uma correção; de emendas importantes, que não afetam a essência jurídica nem política das instituições existentes", afirmou Medvedev.

Os analistas apontam que as emendas buscam fortalecer a figura do presidente precisamente em um momento em que a crise financeira global afetou seriamente a economia nacional, que tinha crescido acima de 7% em seis dos últimos oito anos.

Enquanto isso, comentaristas independentes apontam que a ampliação do mandato presidencial é o primeiro passo para o retorno de Putin ao Kremlin em 2012 ou mesmo antes.

Segundo esse cenário, Medvedev, que quase não se desviou da política aplicada por seu antecessor, seria uma mera figura de transição.

As emendas foram bem recebidas pelos partidos governistas e nacionalistas, mas não pelos liberais.

De fato, a oposição russa anunciou que sairá às ruas em dezembro para protestar contra essa e outras emendas constitucionais. EFE io/jp

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