Putin aceita dirigir o maior partido da Rússia

Por Guy Faulconbridge MOSCOU (Reuters) - O presidente Vladimir Putin aceitou na terça-feira dirigir o maior partido político da Rússia, o que pode aumentar o poder que ele conservará quando encerrar seu mandato no Kremlin, em 7 de maio.

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'Aceito o convite do partido. Estou pronto para assumir para mim a responsabilidade adicional e chefiar o partido', disse Putin, sob aplausos, em um congresso do partido Rússia Unida em Moscou.

Putin já havia anunciado que será primeiro-ministro depois da posse de seu protegido Dmitry Medvedev.

Na Rússia, o premiê é subordinado ao presidente, e historicamente o cargo é ocupado por tecnocratas politicamente fracos. Putin, inclusive pela liderança partidária, será diferente.

O Rússia Unida conseguiu 315 das 450 vagas da Duma (Câmara dos Deputados) em dezembro passado, o que significa que tem a maioria qualificada de dois terços, suficiente para alterar a Constituição ou abrir um processo de impeachment contra o presidente.

'Putin não quer ser o que chamaríamos de um primeiro-ministro técnico na Rússia, uma pessoa que pode ser retirada em 30 segundos se o presidente desejar; ele quer ser um primeiro-ministro com sua própria base de poder', disse à Reuters Alexei Pushkov, jornalista e professor de Relações Internacionais 'Basicamente, Medvedev não poderá governar sem o aval de Putin'.

Putin ocupará por quatro anos o recém-criado cargo de presidente do partido, o que lhe dá garantias de controlar a Duma nesse período. A eleição dele, na véspera, se deu por unanimidade, em votação simbólica.

Medvedev disse a delegados que seria 'prematura' sua adesão ao Rússia Unida, pois considera que uma vez no Kremlin precisará estar acima de partidos.

Putin e Medvedev ficaram muito amigos ao longo de quase 20 anos de trabalho em conjunto, mas diplomatas duvidam que eles consigam evitar disputas entre seus respectivos seguidores.

(Reportagem de Guy Faulconbridge e Denis Dyomkin)

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