Copenhague, 19 jun (EFE).- A Justiça da Dinamarca absolveu hoje dois redatores do jornal local Jyllands-Posten de injúrias e calúnias contra os muçulmanos pela publicação de 12 caricaturas do profeta Maomé em setembro de 2005.

A sentença confirma a decisão do tribunal de Aarhus, que em setembro de 2006 já havia absolvido Carsten Juste, ex-redator-chefe, e Fleming Rose, chefe de Cultura.

A audiência destacou, em consideração à segurança nacional, à integridade territorial do país e à segurança pública, que só se pode restringir a liberdade de expressão de alguém caso seja muito necessário.

A reivindicação civil foi apresentada por sete organizações islâmicas dinamarquesas, depois que o procurador-geral do Estado afirmasse não haver fundamento legal para abrir um caso penal contra o jornal por violar as leis sobre racismo e blasfêmia.

Os reivindicadores haviam pedido para Juste e Rose a pena "mais alta possível" e uma indenização de 50 mil coroas dinamarquesas por danos e prejuízos.

A publicação das vinhetas no "Jyllands-Posten" provocou, cinco meses depois, uma crise internacional entre Dinamarca e o mundo islâmico que incluiu um boicote econômico a produtos dinamarqueses e ataques contra suas legações diplomáticas em vários países.

A crise ressurgiu em fevereiro passado de forma menos intensa, depois que vários periódicos dinamarqueses publicaram de novo as caricaturas e três pessoas foram detidas em Copenhague por prepararem um atentado contra Kurt Westergaard, um dos desenhistas.

Duas delas, de nacionalidade tunisiana, permanecem detidas desde então, à espera de ser executada uma ordem de expulsão do país ditada pelas autoridades.

O mais jovem dos tunisianos seria o encarregado de estrangular Westergaard em sua própria casa, segundo alguns documentos secretos encontrados pelos serviços de inteligência dinamarqueses em um registro, informou hoje o periódico "Nyhedsavisen".

A mulher de Westergaard, de 73 anos, está desaparecida desde novembro passado. O desenhista já precisou mudar de residência nove vezes.

A Al Qaeda realizou no último dia 2 um atentado suicida contra a embaixada dinamarquesa em Islamabad, no Paquistão. O incidente deixou seis pessoas mortas e a rede terrorista islâmica justificou como castigo pela publicação das caricaturas de Maomé. EFE alc/fh/rr

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