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PT propõe mais da receita Lula para eventual Governo de Dilma

Eduardo Davis Brasília, 19 fev (EFE).- O PT aprovou hoje propor continuidade e mais ênfase social no programa que pretende que sua candidata presidencial, Dilma Rousseff, ofereça ao eleitorado para o pleito de outubro.

EFE |

Dilma, atual ministra-chefe da Casa Civil, será proclamada amanhã candidata do partido fundado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1980. As linhas mestras do programa do Governo de olho nas eleições de 3 de outubro foram traçadas hoje, durante o segundo dia do 4º Congresso Nacional do PT.

Em linhas gerais, o programa não difere em quase nada do que foram as políticas que Lula desenvolveu desde que chegou ao poder, em 2003. O programa não é definitivo, pois posteriormente será negociado com os partidos da atual coalizão de Governo.

No âmbito econômico, embora proponha um "Estado forte", o programa mantém como pontos principais um câmbio flutuante, o controle da inflação e uma estrita disciplina fiscal, a fim de garantir a estabilidade que caracterizou o Brasil nos últimos anos.

O programa também pretende continuar o processo de fortalecimento das empresas estatais e reforçar as políticas de crédito existentes para o setor privado, a fim de garantir o crescimento econômico com geração de emprego e de renda.

No que se foi considerado uma leve guinada à esquerda em relação ao Governo Lula, também foi aprovada uma proposta que determina maiores impostos "aos ricos" e outra que estabelece o "combate aos monopólios na imprensa".

O documento do PT reconhece os "enormes avanços" que o Governo Lula significou para o Brasil no âmbito social e propõe manter as atuais políticas, mas também aprofundá-las.

"Fizemos muito mais que qualquer outro Governo na história do Brasil, especialmente no campo social", e durante uma possível gestão de Dilma teremos que "fazer muito mais", disse o ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, perante o congresso do partido, que reúne em Brasília cerca de 1,2 mil delegados.

O ministro destacou a necessidade de manter planos sociais como o Bolsa Família, que subsidia 11 milhões de famílias pobres com crianças na escola, e outros dirigidos a fomentar a agricultura familiar, gerar empregos e impulsionar a educação, sobretudo em relação à formação de técnicos.

No entanto, coincidiu com os dirigentes do partido de que há programas sociais que devem ser consolidados, assim como outros têm que ser ainda mais vastos para superar as enormes desigualdades que ainda persistem no Brasil.

No âmbito político, o PT também respaldou a intenção de Lula de manter unida a atual coalizão de Governo na candidatura de Dilma, o que significa a "consolidação de uma grande aliança de centro-esquerda", segundo a caracterizam os documentos aprovados hoje.

Essa definição ideológica provocou algumas divergências no congresso do PT. Alguns setores pediam para deixar explícito que nessa ampla coalizão o "principal aliado" será o PMDB, partido com mais assentos na Câmara e no Senado e essencial no Governo Lula.

A referência ao PMDB, que já foi acordado partido do candidato a vice-presidente que acompanhará Dilma na chapa eleitoral, foi excluída do documento por pressões das alas mais à esquerda do PT.

O chefe do grupo do PT na Câmara dos Deputados, Cándido Vaccarezza, tentou amenizar essa exclusão e disse que "não significa uma resistência das bases petistas à aliança com o PMDB, mas reforça o fato de que o partido tem muitos aliados".

José Eduardo Dutra, eleito nesse congresso como novo presidente do PT, foi mais claro: "Queremos casar com o PMDB", declarou. Mas, segundo ele, esse "casamento" é extensivo aos outros 12 partidos que respaldam a gestão de Lula. EFE ed/sa

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