SÃO PAULO ¿ A mulher e as crianças mantidas reféns em um porão durante 24 anos pelo pai incestuoso levarão quase uma década para se recuperar do trauma, prevêem médicos do centro psiquiátrico onde a família é atendida, na Áustria, segundo a rede CNN. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/30/jornal_alemao_divulga_video_de_josef_fritzl_em_ferias_na_tailandia_1292993.htmlJornal alemão divulga vídeo de Josef Fritzl em férias na Tailândia; assista

Clique na imagem e veja o infográfico sobre o crime (AFP)

Elizabeth Fritzl, hoje com 42 anos, foi seqüestrada e abusada sexualmente pelo próprio pai, Josef Frietzl, de 73 anos, com quem teve sete filhos. Frietzl confessou o crime, de acordo com a polícia.

Uma das crianças morreu pouco depois de nascer e foi incinerada por Fritzl. Três foram educados como netos pela esposa do criminoso, Rosemarie, mãe de Elizabeth, que vivia com ele e ignorava o que ocorria na casa. Os outros três filhos permaneceram trancados no porão da casa. Kerstin, de 19 anos, Stefan, de 18, e Felix, de 5, nunca haviam visto a luz do sol até que foram resgatados no último domingo.

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Josef F. admite ter prendido filha por 24 anos

Foi espantoso como foi fácil trabalhar com as crianças para que elas se juntassem, e foi impressionante como mãe e avó também se uniram, contou o diretor da clínica psiquiátrica Berthold Kepplinger, de acordo com a rede CNN.

O médico alerta, no entanto, que a família precisará de cuidado intensivo. Estamos falando de 20 anos de escuridão, incesto e dos efeitos de doenças que eles possam ter, disse. Foi a internação de Kerstin em um hospital da cidade de Amstetten que revelou o caso à polícia. Ela continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado crítico, mas "estável", em coma induzido.

Kepplinger disse que os irmãos estão se esforçando para conhecer uns aos outros, apesar da maneira incomum com que as crianças mantidas no porão se comunicam entre si. De acordo com o inspetor Leopold Etz, que resgatou a família do cativeiro, os meninos gritavam de alegria no carro, enquanto eram levados ao hospital.

Os dois pareciam com um certo medo da luz do sol, que eles nunca haviam visto antes, relatou. O mundo real era totalmente estranho para eles... Tivemos de dirigir muito devagar porque eles se espantavam com toda luz e todo movimento do carro. Parecia que eles haviam aterrissado na lua, comparou.

Mãe e filhos poderão trocar de identidades para ajudá-los na adaptação às novas vidas em outro lugar. As informações são da rede CNN.

Caso Natascha Kampusch

Em uma entrevista a um jornal austríaco, o psiquiatra Max Friedrich, que tratou a adolescente seqüestrada Natascha Kampusch, estimou que a família Fritzl leve de cinco a oito anos para se recuperar do trauma.

A própria Natascha, que sofreu abusos sexuais por oito anos em cativeiro, também ofereceu ajuda e 25 mil euros à família, mas questionou a decisão de tirá-los do porão da casa onde viviam para interná-los na clínica médica.

Tirá-los de repente da situação, sem transição, isolando a família, não pode ser bom, disse Natascha, hoje com 20 anos, em entrevista ao canal Puls 4 da TV austríaca. Acredito ser melhor deixá-los onde estavam, mas isso é provavelmente impossível. Este caso não é como o meu, pois eu não estava no meu ambiente. Eles nasceram ali e eu posso imaginar que têm uma ligação muito forte com o lugar, comparou.

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