Próximo Governo eleito do Chile não terá maioria no Parlamento

Santiago do Chile, 14 dez (EFE).- Seja quem for o vencedor do segundo turno das eleições presidenciais no Chile, seu Governo deverá negociar com a oposição para antecipar a aprovação de projetos de lei, devido ao equilíbrio da forças representativas no Parlamento.

EFE |

As eleições presidenciais e legislativas do domingo trouxeram poucas mudanças na composição do Parlamento chileno, a não ser o retorno dos comunistas após 36 anos de ausência, que gera um efeito simbólico.

O vencedor do segundo turno presidencial fixado para 17 de janeiro entre o direitista Sebastián Piñera e o governista Eduardo Frei, primeiro e segundo candidatos mais votados, respectivamente, deverá lidar com o equilíbrio entre as forças políticas com representação parlamentar.

O Senado renovou 18 de suas 38 cadeiras e a distribuição foi equânime: nove cargos para a governista Concertação e nove para a direitista Coalizão pela Mudança, conforme a terceira e última apuração oficial, entregue hoje pelo subsecretário do Interior, Patrício Rosende.

No total, a Concertação terá agora 19 assentos e a direita 16, além dos três independentes que ora votam com a situação e ora com a oposição.

Na Câmara dos Deputados, a direita, embora tenha alcançado menos votos, terá 58 assentos contra 57 da Concertação, número que deve ser somado aos três deputados comunistas.

Além disso, haverá três legisladores do Partido Regionalista Independente (PRI), que costumam apoiar a direita, e dois independentes, completando as 120 cadeiras.

Entre as caras novas que chegarão ao Senado destaque para a socialista Isabel Allende, filha do falecido presidente Salvador Allende (1970-1973), eleita pela circunscrição de Atacama com 26,79% dos votos.

O fato mais relevante da eleição para senador foi a derrota de Joaquín Lavín, ex-candidato presidencial da ultraconservadora União Democrata Independente (UDI), na região de Valparaíso.

Lavín obteve 27,85% dos votos e foi superado por seu companheiro de lista, Francisco Chahuán, do partido Renovação Nacional (RN), que conquistou 28,21%.

A primeira vaga nessa circunscrição ficou com Ricardo Lagos Weber, filho do ex-presidente Ricardo Lagos (2000-2006), até um ano atrás porta-voz da Moeda e a segunda com o candidato do social-democrata Partido pela Democracia (PPD), com 33,18% dos votos.

Lavín, ex-prefeito de Las Condes e Santiago e derrotado por Ricardo Lagos na corrida presidencial de 1999-2000, admitiu hoje a derrota para o senador Juan Antonio Coloma, presidente da UDI, classificou de "dolorosa".

A UDI teve outra decepção nesta segunda-feira, pois sua candidata Ena Von Baer, que até a meia-noite aparecia eleita na circunscrição Araucanía Sul, foi vencida pelo companheiro de lista José García Ruminot, de RN, que concorre à reeleição.

Dois irmãos democratas-cristãos conquistaram cadeiras no Senado: Ignacio Walker Prieto, ex-chanceler no Governo de Ricardo Lagos, venceu na circunscrição de Valparaíso "na Cordilheira" e Patrício Walker na região de Aysén.

Um terceiro irmão, Matías, foi eleito deputado pela região de Coquimbo.

Na Câmara dos Deputados, o destaque foi a confirmação da eleição de três deputados comunistas, os primeiros a entrarem no Parlamento desde 1973.

Trata-se do advogado de direitos humanos Hugo Gutiérrez, eleito na cidade de Iquique, Lautaro Carmona, secretário-geral do Partido, eleito em Copiapó e o presidente do partido, Guillermo Teillier, eleito no distrito de San Miguel.

Os comunistas apoiavam o candidato de esquerda Jorge Arrate nas presidenciais, mas nas parlamentares iam com a Concertação graças a um pacto instrumental.

Embora a direita tenha um deputado a mais que a Concertação (58 a 57) na Câmara dos Deputados, a atual coalizão governista conquistou mais votos, 44,36% frente a 43,44%.

Por partidos, a direitista UDI obteve 37 deputados, a Democracia Cristã alcançou 19 e Renovação Nacional 18, o mesmo que o governista PPD, enquanto o Partido Socialista alcançou 11 e o Partido Radical cinco, o Partido Comunista três e o regionalista PRI outros três.

Além disso, seis candidatos independentes foram eleitos. EFE ns/dm

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