Próximo chefe do Tesouro dos EUA terá de fazer mágica

Por Emily Kaiser WASHINGTON (Reuters) - O secretário do Tesouro a ser escolhido pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama, precisará ser um regulador, um diplomata, um defensor do dólar e um mestre em cofres vazios, tudo isso enquanto tenta encontrar formas de fazer o país evitar uma violenta recessão.

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Os últimos 14 meses de instabilidade nos mercados mudaram dramaticamente as funções do cargo, fazendo dessa talvez a mudança mais radical desde que William Woodin foi escolhido para integrar o governo de Franklin Roosevelt durante a Grande Depressão, em 1933. Woodin renunciou depois de menos de um ano devido a problemas de saúde e morreu em 1934.

Escolher o nome do secretário do Tesouro fará parte das primeiras decisões fundamentais a serem tomadas por Obama. E muito provavelmente essa decisão deve ser feita em breve.

A economia figurou como questão central para muitos eleitores na batalha entre Obama e o republicano John McCain.

Entre os principais encargos do próximo chefe do Tesouro constará reescrever as regras do sistema financeiro a fim de impedir uma nova crise de crédito como a atual, crise essa que ameaça provocar a pior desaceleração econômica dos EUA em 30 anos, atrapalhando o crescimento da economia global no processo.

Isso pode explicar por que a lista dos candidatos em potencial inclui Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve de Nova York. Geithner encontra-se no centro dos esforços para estabilizar os mercados financeiros.

Também fazem parte dessa lista Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro, e Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA). Obama falou ainda em termos favoráveis do investidor Warren Buffett.

Seja quem for o escolhido, "os primeiros dois anos serão horríveis", afirmou Andrew Milligan, chefe de estratégia global para a Standard Life Investiments, uma empresa com sede em Edimburgo que administra ativos no valor de cerca de 210 bilhões de dólares.

"Neste momento, eu pressuponho que Geithner seja tão qualificado quanto qualquer outro. Precisamos de alguém que esteja realmente familiarizado com a crise."

O atual governo norte-americano, comandado pelo presidente George W. Bush, e o Fed reservaram trilhões de dólares para tentar evitar a paralisação do sistema financeiro. Isso deve elevar a dívida pública dos EUA para além do patamar de 11 trilhões de dólares.

O economista Peter Hooper, do Deutsche Bank, acredita que o déficit orçamentário ultrapassará 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano em 2009, mais do que dobrando em relação a este ano e atingindo o nível mais alto entre os países desenvolvidos.

Isso deve limitar a capacidade de gastos do governo e exigirá um delicado esforço diplomático com países como a China e o Japão, que possuem centenas de bilhões de dólares em dívidas dos EUA. Esses países mostram-se cada vez mais preocupados com o agravamento da crise de crédito.

"Eles terão de dar muita atenção aos investidores estrangeiros", afirmou Harm Bandholz, economista da UniCredit (Nova York). "Sem investidores estrangeiros, nenhum desses programas governamentais de resgate funcionaria porque os EUA não seriam capazes de financiá-los."

(Reportagem adicional de Mark McSherry em New York)

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