Sonia Osorio. Miami, 13 mar (EFE).- O estado americano da Flórida desempenhará papel relevante no processo de reconstrução do Haiti por sua proximidade, vínculos comerciais, infraestrutura e disponibilidade de capital para ajudar na recuperação do país, devastado por um forte terremoto em janeiro.

Em 12 de janeiro, a nação foi devastada por um terremoto de 7 graus na escala Richter, com saldo de 217 mil mortos. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os prejuízos financeiros estão entre US$ 7 e 14 bilhões.

As necessidades mais imediatas são a remoção de toneladas de escombros e a reconstrução de casas, hospitais, escolas, estradas, escritórios governamentais e do setor privado. Além disso, será preciso reestruturar a infraestrutura portuária e aérea.

Analistas de Miami disseram à Agência Efe que o setor empresarial da Flórida, estado no qual reside grande parte dos haitianos que deixaram o país, pode aproveitar as oportunidades de negócios que surgirão.

"Temos interesse na participação de todas as empresas na reconstrução do Haiti. As câmaras de comércio analisarão como elas poderão ajudar nos esforços em nível nacional", disse Mario Sacasa, vice-presidente para o programa de desenvolvimento econômico internacional do Beacon Council.

Antes de chegar a Porto Príncipe, capital do Haiti, as empresas da Flórida têm de esperar o Congresso americano determinar o plano de ajuda econômica ao país.

O Governo do presidente Barack Obama planeja solicitar aos congressistas uma ajuda de emergência no valor de aproximadamente US$ 3 bilhões.

"Estamos esperando que Washington discuta o plano de ajuda, o Congresso determinará as bases e aí poderemos entrar em contato com as grandes organizações empresariais para divulgá-lo", explicou Sacasa, que também preside a câmara de comércio entre Nicarágua e os EUA.

Claudio Osorio, presidente e diretor-executivo de InnoVida Holding LLC., uma empresa especializada na edificação de imóveis pré-fabricados, comentou que o Haiti precisa não só de ajuda econômica, mas de assistência técnica, empresas com equipamentos e pessoal qualificado.

"E nós (em referência ao sul da Flórida) somos o lugar mais próximo que tem o maior número de companhias e o capital", disse Osorio à Agência Efe.

O empresário recentemente doou ao Haiti mil casas de 15 metros quadrados fabricadas com um material impermeável, resistente a furacões e "excelente para problemas com tremores".

Osorio está pronto para montar em território haitiano uma fábrica com capacidade de fazer cerca de dez mil casas por ano. A intenção é ajudar também na construção de edifícios, hospitais e centros educativos.

Sua empresa trabalhará com o Governo haitiano, o setor empresarial e a agência americana Overseas Private Investment Corporation (OPIC).

"Todas as pessoas que fornecerem produtos que ajudem na parte de infraestrutura, imóveis e edifícios têm oportunidades ilimitadas de negócios. Esse trabalho de reconstrução levará muito tempo", prevê o empresário.

José Francisco Terán Ruelas, ex-diretor do National Institute of Building Sciences dos EUA, também considerou importante que o sul da Flórida participe da reconstrução pela necessidade imediata de um plano de ação.

Segundo ele, a reconstrução de Porto Príncipe deve ser muito bem planejada porque a capital haitiana fica exatamente sobre uma falha tectônica, o que obriga a realização de estudos geológicos muito completos.

A descentralização é outro dos aspectos a serem considerados, para evitar que a cidade concentre 3 milhões de pessoas.

Para ajudar nesse processo, Terán Ruelas lembrou que o sul da Flórida está repleto de especialistas nas áreas de saúde, desenvolvimento turístico, geofísica, especialistas em furacões, empresas de venda de materiais, de serviços e de engenharia. EFE sob/dp

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