Província japonesa vai financiar volta de brasileiros desempregados

Brasileiros desempregados e sem condições financeiras para se manter no Japão poderão ser beneficiados com uma passagem de volta ao Brasil. A iniciativa é do governo de Gifu, província localizada na região central do arquipélago e que concentra a quarta maior população de imigrantes brasileiros no país - são quase 20 mil.

BBC Brasil |

Cerca de US$ 980 milhões foram destinados ao projeto, que prevê a compra de até 700 passagens para o Brasil.

"É, na verdade, um financiamento destinado às pessoas que querem ir embora mas não têm recursos, ou àquelas que conseguiram juntar apenas um mínimo de dinheiro para recomeçar a vida no Brasil", explicou à BBC Brasil Yutaka Nita, responsável pelo Departamento de Relações Internacionais da Província de Gifu.

O limite máximo do empréstimo é de cerca de US$ 5,8 mil por família. Mas como o dinheiro será usado exclusivamente para a compra da passagem, a pessoa que conseguir a ajuda vai receber apenas o bilhete e não o dinheiro.

O valor será custeado pela Caixa de Crédito dos Trabalhadores de Tokai, uma instituição financeira da região, e o beneficiado terá até cinco anos para saldar a dívida, com juro de 1,5% ao ano. Nita explicou que o beneficiado terá de fazer remessas para o Japão mensalmente e o valor mínimo das parcelas será de US$ 100.

"Estamos bastante preocupados com a inadimplência, mas já estamos estudando formas de garantir o retorno do dinheiro emprestado", garantiu o japonês, sem entrar em detalhes.

Para ter direito ao empréstimo é necessário preencher alguns requisitos, como ter nacionalidade brasileira, ser morador da província há pelo menos sete meses, estar desempregado, não ter dinheiro depositado em banco ou outros bens e ter dependentes.

O primeiro embarque está previsto para o dia 29 deste mês. Os brasileiros que conseguirem a ajuda terão de voltar ao Brasil até 24 de abril.

Nita destacou ainda que o objetivo do governo com esse projeto não é mandar os brasileiros embora. "Esta é apenas uma das iniciativas para ajudar os desempregados da província. Não queremos ver os brasileiros virarem sem-teto, sem condições de se manter no país", disse ele. "Além disso, eles poderão voltar para cá assim que as coisas melhorarem", emendou.

A grande maioria dos brasileiros demitidos na província de Gifu trabalhava em fábricas de autopeças e de eletrônicos. Foram justamente estes os setores mais afetados pela crise econômica no país e os primeiros a demitir levas de funcionários no final do ano passado.

Segundo dados oficiais do governo local, cerca de 3 mil brasileiros estão recebendo o seguro-desemprego. No entanto, os sindicatos locais calculam que o número de desempregados estrangeiros é bem maior, pois uma grande parte não tem acesso aos benefícios sociais.

No Japão todo, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos, cerca de 50 mil brasileiros estão parados.

Kátia Pellosi, de 28 anos, é uma das que não conseguem mais colocação no mercado de trabalho. Ela está parada desde novembro do ano passado. O marido, Sandro Luís do Espírito Santo, 28, cumpre aviso prévio até a semana que vem.

Sem perspectiva de melhora da situação, o casal entregou o apartamento, vendeu o que conseguiu e foi morar com os pais de Kátia. Há dois anos no Japão, os dois não fizeram poupança e agora recorrem à ajuda da província. "Nossa esperança é conseguir essa passagem financiada", disse Sandro.

O casal contou que a intenção era morar no Japão por um bom tempo. "Tínhamos uma vida social aqui, compramos móveis e eletrônicos, e até planejávamos ter um filho e criá-lo aqui. Mas por causa dessa situação de desemprego estamos sendo obrigados a voltar", resumiu Kátia.

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