Teresa Bouza. Washington, 31 out (EFE).- Milhares de advogados vigiarão os centros eleitorais de todo Estados Unidos na próxima terça-feira para impedir qualquer tentativa de fraude, em meio a crescentes sinais de que a participação pode alcançar um recorde histórico.

Só na Flórida, os democratas contam com o apoio de cinco mil voluntários, a maior operação de todo o país, para impedir fraude nas eleições, o que, segundo muitos democratas, levou o presidente George W. Bush à vitória há oito anos.

O estado ficou famoso em 2000 por um fiasco eleitoral que levou a uma longa apuração dos votos e onde, finalmente, Bush acabou vencendo por uma diferença de apenas 537 votos frente a seu adversário, o democrata Al Gore.

Ben Porritt, porta-voz da campanha republicana, disse hoje ao jornal "USA Today" que seu partido conta também com um amplo apoio legal, sobretudo nos estados mais apertados como Ohio, Flórida e Missouri, embora não tenha dados concretos.

Fora isso, grupos de defesa dos direitos civis desdobrarão dez mil voluntários nas urnas no dia das eleições em 25 estados do país, o maior esforço da história, segundo Jon Greenbaum, de um comitê de advogados.

O grupo de advogados, que atua em defesa dos direitos civis, tem uma linha telefônica que recebeu já mais de 50 mil mensagens e na próxima terça-feira está prevista a habilitação de 32 centros de chamadas para reportar irregularidades.

Os observadores consideram "muito remota" a possibilidade de que as eleições sejam decididas em um único estado, mas alertam que o problema este ano é o grande interesse gerado pela disputa entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, o que se espera que leve um número recorde de americanos às urnas.

A elevada participação nos 30 estados que permitem votar antecipadamente e por onde já passaram ao menos já 17 milhões de americanos pode ser um presságio do que estar por vir.

A avalanche de milhões de novos eleitores pode levar a centros eleitorais abarrotados e a situações polêmicas como as comprovações de identidade de último minuto, nas quais se poderia negar a cédula aos eleitores cujos documentos não coincidam com o nome arquivado em outros registros governamentais.

Ana Martínez, subdiretora política do Partido Democrata, explicou hoje à Agência Efe que essa participação recorde prevista explica em grande medida os "incríveis" números de recrutamento de voluntários especialistas em temas legais.

Segundo ela, essas previsões levaram os democratas a lançar uma campanha de mobilização para impulsionar o voto antecipado.

Douglas Chalmers, que preside a Associação de Advogados da Geórgia a favor do candidato republicano, John McCain, disse à Efe que o recrutamento destes profissionais foi também recorde entre os conservadores do estado, que contam com o apoio de "centenas" de assistentes legais.

A quatro dias da grande reunião de 4 de novembro começaram já os litígios em muitos estados.

Os defensores dos direitos dos eleitores no Colorado declararam esta semana, perante um juiz federal, que os nomes de 30 mil pessoas tinham sido eliminados dos registros estatais, o que violaria as leis federais.

Esses eleitores terão direito de depositar um voto provisório à espera de que se esclareça o ocorrido.

Especialistas antecipam que esses votos provisórios aos que se recorre com freqüência em estados-chave como Ohio, que utiliza esse sistema quando não se pode comprovar de forma imediata a identidade de um eleitor, podem ser um dos focos potenciais de conflito.

Em outros estados como Virgínia, que tem uma das taxas mais baixas de urnas por eleitor, se estende o temor de que faltem recursos para fazer frente à avalanche de eleitores.

Por isso, grupos como a Associação de Advogados Americana e a Liga de Mulheres Eleitoras pediram aos estados que tenham certeza que contam com gente suficiente para agilizar a votação e impedir que as longas filas afastem as pessoas das urnas. EFE tb/rr

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