Provas de vida de reféns das Farc são divulgadas entre pedidos de libertação

Bogotá, 31 ago (EFE).- Vários vídeos com declarações de sete policiais e dois militares sequestrados pelas Forças Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc) foram divulgados hoje como provas de vida, em meio a pedidos de parentes para que a guerrilha liberte todos os reféns em seu poder.

EFE |

As gravações foram divulgadas em um ato no norte de Bogotá, pela senadora opositora Piedad Córdoba, que foram entregues primeiro aos familiares dos nove reféns e depois à imprensa.

Os sete policiais que aparecem no vídeo são o general Luis Mendieta, os capitães Edgar Yesid Duarte e Enrique Murillo, os tenentes William Donato e Elkin Hernández, o sargento Luis Alberto Erazo e o intendente Álvaro Moreno.

Os dois membros do Exército são o sargento Arbey Delgado e o cabo José Líbio Martínez.

Martínez é o oficial sequestrado há mais tempo. Sua captura aconteceu em dezembro de 1997, junto com o também cabo Pablo Emilio Moncayo.

"O que acontece conosco? Não somos seres humanos? Por acaso somos animais?", pergunta Delgado em uma das gravações, refém há 12 anos, que se queixa por não ter recebido "a lealdade" que esperava do Estado.

"Eu peço ao país que se mobilize" para exigir as libertações de todos os sequestrados, disse aos jornalistas a senadora Piedad, segundo quem o Governo está impedindo a entrega unilateral de dois reféns anunciada pelas Farc.

Após ver o vídeo, o pequeno Johan, filho de Martinez, disse à imprensa que estava "alegre" e que dava "graças a Deus por ter uma prova de vida" de seu pai, "mas bom seria a liberdade dele e de todos os sequestrados".

"Quero pedir às Farc que libertem todos os sequestrados que estão presos há muito tempo", acrescentou.

Johan, cuja mãe estava grávida dele quando seu pai foi sequestrado, participou com apenas 11 anos em várias caminhadas por todo o país, para exigir a libertação de Martínez.

Sequestrado desde 1998, o capitão Duarte foi o que apresentou o aspecto mais enfraquecido. No entanto, em sua mensagem, disse estar forte.

"Saudações à minha família, estou forte, não caí, nem vou cair (...). Para ti Susi, meu amor, estou bem, continuo fortalecido", disse o militar na gravação.

Já o general Mendieta, membro das forças de segurança com maior categoria sequestrado pela guerrilha, disse, no vídeo, que gravou sua prova de vida "em plena liberdade".

"Ninguém me diz o que tenho que dizer (...) hoje é 21 ou 22 de abril, quero enviar uma afetuosa saudação a minha esposa (...), observar que até o momento continuo sobrevivendo, vivendo diariamente. Deus continua nos acompanhando, nos levando pelas mãos para suportar estes momentos tão difíceis", afirmou Mendieta.

A declaração prova que os vídeos foram gravados aparentemente em abril, mas foram divulgados somente hoje.

A diretora da Associação Colombiana de Familiares de Membros da Força Pública Retidos pelos Grupos Guerrilheiros (Asfamipaz), Marleny Orjuela, expressou sua tristeza aos jornalistas, já que, segundo sua opinião, os nove reféns aparecem nos vídeos "muito acabados, deteriorados".

"O sequestro não é revolucionário", disse Marleny às Farc, e pediu ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, que dialogue com a senadora Piedad e com os familiares, para possibilitar novas libertações.

Por outro lado, Marleny denunciou que o ex-congressista Orlando Beltrán, refém das Farc até o ano passado, denunciou uma suposta fuga planejada, o que resultou na prisão do sargento Delgado e do tenente Donato pelos guerrilheiros.

Beltrán negou a acusação pouco depois e qualificou de "absurda" a declaração de Marleny.

Os nove reféns cujas provas de vida foram divulgadas hoje estão incluídos na lista de 24 policiais e militares que as Farc pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos. EFE mb-fer/pd

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