Protestos se agravam na Bolívia e deixam 8 mortos

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - A Bolívia chegou à beira do caos na quinta-feira, em meio às violentas manifestações da oposição contra os projetos socialistas do governo. Pelo menos oito pessoas morreram, dezenas ficaram feridas, e as exportações de gás para o Brasil e a Argentina foram afetadas.

Reuters |

O presidente Evo Morales advertiu que poderá deixar de escutar os apelos de prudência diante do que descreveu como 'atos de delinqüência financiados por latifundiários do leste', enquanto o embaixador brasileiro, Rene Dorfler, disse que La Paz pode decretar estado de sítio.

Na véspera, Morales determinou a expulsão do embaixador norte-americano em La Paz, Philip Goldberg, a quem acusou de tramar um golpe em conjunto com a oposição conservadora, que exige mais autonomia para as ricas províncias do leste boliviano.

Os EUA responderam declarando o embaixador boliviano, Gustavo Guzmán, como 'persona non grata'. As relações entre os dois países já eram tensas devido ao apoio de Morales ao governo socialista da Venezuela.

O Brasil, com apoio da Argentina, decidiu enviar a La Paz uma delegação que tentará mediar o conflito. A Comunidade Andina, da qual a Bolívia é parte, pediu esforços contra a violência.

Um atentado contra uma estação de bombeamento de gás obrigou o consórcio operador do principal gasoduto do país, que inclui a Petrobras, a francesa Total e a espanhola Repsol, a reduzir o abastecimento de gás ao Brasil pela metade durante sete horas.

Enquanto isso, a ocupação de uma estação de outro gasoduto obrigou a estatal local YPFB a suspender totalmente o envio de gás à Argentina.

O gás boliviano, principal fonte de ingressos do país, representa a metade do consumo desse combustível no Brasil, sendo que responde por 70 por cento da demanda de São Paulo.

Em visita a Brasília, o ministro boliviano da Fazenda, Luis Arce, disse que as Forças Armadas se mobilizaram para recuperar postos alfandegários na fronteira com o Brasil, ocupados há dias por manifestantes.

A oposição ampliou seus protestos depois da expressiva vitória de Morales num referendo que ratificou o seu mandato, o que lhe deu força política para tentar acelerar a aprovação de uma nova Constituição.

O governo informou que oito pessoas morreram e 34 ficaram feridas no Departamento de Pando (norte), numa emboscada contra um grupo de camponeses que ia a uma assembléia, crime supostamente cometido por seguidores do governador local, que é de oposição.

'Estamos falando de um verdadeiro massacre que tem responsável, o prefeito [governador] de Pando, Leopoldo Fernández', disse a jornalistas o vice-ministro de Coordenação com Movimentos Sociais, Sacha Llorenti.

Também houve dezenas de feridos em Santa Cruz (leste) e Tarija (sul), onde nos últimos dias manifestantes autonomistas ocuparam prédios públicos e entraram em choque com seguidores do governo.

(Com reportagem adicional de Fabián Cambero em Caracas e Julio Villaverde no Rio de Janeiro)

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