Protestos se agravam, e cresce pressão sobre Sarkozy

Por François Murphy PARIS (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, enfrenta na quinta-feira uma nova greve geral nacional contra o seu plano de reforma previdenciária, que aumenta de 40 para 41 anos o tempo de contribuição para a aposentadoria.

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Os trabalhadores dos transportes e outros setores devem sair às ruas em diversas cidades. Os portuários também vão parar, e os pescadores prometem manter seu protesto contra o aumento do preço do diesel, apesar das promessas de ajuda feitas na quarta-feira pelo governo.

Só metade dos trens deve funcionar, e os maiores transtornos são esperados nas linhas regionais, segundo os operadores do setor. Dois em cada três TGVs (trens-bala) devem trafegar normalmente, e a ligação ferroviária com Londres e Bruxelas não deve ser afetada.

Já os vôos podem sofrer atrasos, especialmente de manhã, segundo as autoridades.

Os protestos de quinta-feira marcam um agravamento das manifestações dos últimos meses, e ainda devem ganhar mais força.

Mas desta vez não se prevê o caos nos transportes visto em novembro, quando o setor fez greve durante nove dias contra a reforma previdenciária, que afeta um regime especial de pensões a que especialmente os trabalhadores dos transportes têm direito.

O governo negociou o fim do regime especial, que permitia a aposentadoria após 37,5 anos de contribuição para algumas categorias, em vez de 40 anos.

A greve de quinta-feira é a primeira desde que entrou em vigor uma nova regra que exige a notificação das paralisações com dois dias de antecedência.

Os sindicatos querem protestar também contra cortes de vagas no setor público e uma proposta que obriga desempregados a aceitarem empregos após certo período.

Nos últimos dois meses, professores e alunos realizaram vários protestos contra o corte de 11,2 mil empregos no setor de educação no próximo ano letivo. Os sindicatos dos professores já convocaram uma nova manifestação para sábado.

No caso dos portuários, a paralisação é contra a privatização das atividades de carga e descarga em portos estatais.

Nunca um presidente francês teve popularidade tão baixa após um ano de mandato. Mas há divergências quanto ao grau de apoio aos protestos de quinta-feira.

Pesquisa Ifop para o semanário Journal du Dimanche disse que 57 por cento acham que os protestos não são justificados, contra 43 por cento que estão de acordo. Já a pesquisa Viavoice para o diário esquerdista Libération, na quarta-feira, mostrou apoio de 60 por cento à greve geral, contra apenas 36 por cento de oposição.

(Reportagem adicional de Thierry Leveque e Tamora Vidaillet)

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