Protestos reacendem tensão étnica na China

Chineses da etnia han voltaram a protestar na província de Xinjiang, no oeste da China, onde quase 200 pessoas morreram nos choques étnicos de dois meses atrás.

BBC Brasil |

Uma testemunha contou à BBC que pelo menos 2 mil manifestantes han realizaram um protesto no centro da capital da província, Urumqi, contra a falta de segurança na cidade após os confrontos de julho.

Segundo a mídia estatal chinesa, 15 pessoas foram presas após uma recente série de esfaqueamentos na cidade.

A agência de notícias chinesa Xinhua disse que as vítimas pertenciam a nove grupos étnicos diferentes, inclusive uigures e han.

Os choques de julho marcaram os piores confrontos étnicos na China em décadas. Na ocasião, pelo menos 197 pessoas morreram e outras 1.700 ficaram feridas.

O governo afirma que a maioria dos mortos era da etnia han, mas um grupo ativista que vive no exílio, o Congresso Mundial Uigur, diz que muitos integrantes da etnia uigur também morreram nos choques.

Seringa

Moradores de Urumqui ouvidos pela agência de notícias Associated Press disseram que os manifestantes nesta quarta-feira gritavam palavras de ordem criticando o governo regional e foram impedidos pela polícia de marchar sobre a Praça do Povo, no centro da cidade.

Outras testemunhas disseram que os manifestantes foram cercados por policiais armados.

As comunidades han e uigur de Xijiang vivem sob clima de tensão há vários anos na China. Alguns integrantes da etnia uigur se queixam de que a migração han para a província diluiu sua cultura e influência.

A etnia han corresponde a cerca de 40% da população de Xinjiang, enquanto que os uigures correspondem a aproximadamente 45%.

Os confrontos de julho foram desencadeados pela morte de dois uigures em uma briga numa fábrica de brinquedos na província de Guangdong, no sul do país, no final de junho.

Xinjiang tem sido palco de tensões há muitos anos, com a chegada cada vez maior de migrantes han.

Muitos uigures vinham expressando sua insatisfação com a discriminação e com as poucas oportunidades de participar do crescimento econômico chinês.

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