Protestos prosseguem na Venezuela; Chávez nomeia vice radical

Por Enrique Andres Pretel e Brian Ellsworth CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, alertou nesta quarta-feira que pode acelerar a implantação do socialismo no país, num dia em que alterou novamente seu ministério e a oposição manteve seus protestos contra a suspensão de um canal de TV.

Reuters |

O ano começou com dificuldades para o líder de esquerda, sob queixas da população por conta da escassez de água e eletricidade e da maxidesvalorização do bolívar -- dois fatores que podem prejudicar os candidatos governistas na eleição parlamentar de setembro.

Mostrando que se prepara para um ano combativo, Chávez reagiu a esses desafios nomeando um novo vice-presidente, conhecido por suas opiniões radicais, e tirando do ar o canal pago oposicionista RCTV.

Grupos de oposição saíram às ruas nesta semana para protestar contra a desativação do canal, causando incidentes em que dois estudantes morreram.

"Se vocês (oposição) estão trilhando o caminho da desestabilização, alerto que isso vai gerar o resultado contrário do que estão buscando - que podemos decidir acelerar as mudanças", disse Chávez, que recentemente se declarou marxista, em declarações pela TV.

Chávez nacionalizou grandes parcelas da economia nos últimos anos, inclusive as telecomunicações e o setor elétrico - onde agora há graves problemas. Neste mês ele expropriou também uma rede de hipermercados franco-colombiana, que acusou de praticar aumentos abusivos de preços.

Membros da oposição e estudantes simpáticos a Chávez realizaram pequenas manifestações paralelas na quarta-feira, reunindo-se em campi universitários e praças públicas, como preparativo para uma série de passeatas nos próximos dias.

A imprensa local noticiou pequenos confrontos entre forças de segurança e manifestantes nas cidades de Maracaibo e Puerto la Cruz.

Na noite de terça-feira Chávez nomeou seu ministro da Agricultura, Elias Jaua, para o cargo de vice-presidente, depois da renúncia, nesta semana, do ocupante anterior do cargo, Ramón Carrizález, tradicional confidente de Chávez e seu ex-ministro da Defesa.

Jaua, que manterá a pasta da Agricultura, é um ex-militante universitário com temperamento calmo, mas com a reputação de estar entre os mais radicais protegidos do presidente.

Neste mês, Chávez já havia fundido os ministérios de Finanças e Planejamento, substituído os titulares das pastas do Meio Ambiente e Defesa e demitido o ministro da Eletricidade, refletindo em parte sua dificuldade crônica em encontrar quadros qualificados nos quais ele confie.

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