Protestos pacíficos e fortes medidas de segurança antecedem a cúpula do G8

Tóquio, 5 jul (EFE).- As fortes medidas de segurança mobilizadas em todo o Japão e uma manifestação pacífica de milhares de pessoas, com várias mensagens para os líderes do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) marcam o dia de hoje, antes da cúpula do grupo em Hokkaido, no norte do país.

EFE |

A mobilização de 20 mil oficiais de Polícia em Hokkaido não conseguiu dimunuir o ânimo dos cerca de 5 mil manifestantes que percorreram hoje - em uma manifestação sem incidentes - as ruas de Sapporo, capital dessa província japonesa, segundo estimativas da agência "Kyodo".

As mensagens eram muitas, todas dirigidas aos líderes do G8, que começarão a chegar a partir de amanhã à sede da cúpula, o hotel Windsor, localizado sobre uma colina entre o Lago Toya e o Oceano Pacífico, para uma cúpula que acontecerá entre os dias 7 e 9.

"Havia alguns que pediam pela paz, outros eram contra os efeitos da globalização na economia e a consideravam responsável pela pobreza de muitas pessoas", disse à Agência Efe Takashi Shimosawa, um ativista do Fórum de ONGs da cúpula do G8.

"Mas todos concordavam em que não é feito o suficiente para evitar as conseqüências negativas da globalização", disse Shimosawa.

O ativista disse que a marcha, que aconteceu entre o parque de Odori e o de Nakajima, em Sapporo, aconteceu de forma pacífica e sem feridos, mas a Polícia deteve pelo menos dois manifestantes.

Junto com o protesto, houve várias apresentações musicais e conferências, com a participação de ativistas de diversas organizações civis internacionais.

A distância e dificuldade de acesso à sede da cúpula não conseguiu evitar a organização de manifestações, mas facilitou o trabalho das autoridades, que conseguiram controlar e, em alguns casos, impedir o acesso a Hokkaido de ativistas e membros de diversas organizações.

Nesta sexta-feira, as autoridades migratórias japonesas impediram a entrada no país de 19 membros de uma ONG filipina que tinham planejado assistir a um fórum em Hokkaido, alegando que as atividades que desempenhariam no Japão "não estavam claras".

A cúpula reunirá os líderes dos EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Rússia, junto com representantes da União Européia e de 14 países convidados.

Tanto a capital quanto a ilha mais setentrional do país, assim como os principais aeroportos e estradas pelos quais se chega ao local da cúpula, já foram protegidos pelo Governo japonês, que mobilizou um dispositivo de segurança sem precedentes, integrado por 40 mil agentes.

As Forças de Autodefesa japonesas posicionaram em Hokkaido um avião Awacs, especializado na captação de informação, e determinaram uma zona de exclusão aérea de 46 quilômetros de raio sobre o hotel onde será realizada a cúpula.

Um total de 20 mil policiais foi mobilizado em Hokkaido, especialmente nos arredores da sede do G8, nas áreas de entretenimento, nas estações de trem e na capital Sapporo.

Apesar das centenas de quilômetros que separam Toyako de Tóquio, o Governo japonês mobilizou também outros 20.000 agentes em Tóquio, onde praticamente há um policial em cada esquina.

As Forças de Autodefesa (o Exército japonês) também participarão do cinturão de segurança para impedir ataques terroristas, e estão preparados para hipotéticos incidentes, como um eventual seqüestro de avião.

O número de policiais nas ruas é o dobro do estabelecido durante a última cúpula do G8 no Japão, que aconteceu em 2000, em Okinawa (arquipélago no sul do país).

No entanto, o precedente dos ataques terroristas de 2005 em Londres levou os japoneses a não poupar em questões de segurança.

Em 7 de julho de 2005, quando se realizava a cúpula do G8 em Gleneagles, na Escócia, quatro bombas explodiram em três trens do metrô e em um ônibus urbano em Londres, o que causou a morte de 56 pessoas e feriu mais de 700. EFE icr/an

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