Protestos no Haiti fazem 5a vítima fatal

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Um homem foi morto a tiros na segunda-feira durante protestos nas ruas de Les Cayes, no sul do Haiti, elevando a cinco o número de vítimas fatais nas manifestações contra o preço dos alimentos, disseram rádios e autoridades.

Reuters |

Houve um protesto também diante do Palácio Nacional, em Porto Príncipe. Na semana passada, quatro pessoas morreram e 20 outras ficaram feridas em Les Cayes.

Veículos da Organização das Nações Unidas (ONU) foram queimados, soldados estrangeiros foram atacados e um depósito de alimentos foi saqueado na quinta e sexta-feira.

O primeiro-ministro Jaques Edouard Alexis reagiu anunciando um programa de investimentos no valor de bilhões de dólares, destinado a reduzir o custo dos alimentos.

O preço do arroz e de outros gêneros essenciais chegou a dobrar ou até mesmo triplicar nos últimos dias, gerando protestos desde quarta-feira nas cidades de Gonaives, Petit-Goave e outras.

O Haiti vivia um período de relativa calma desde a eleição do presidente René Préval, em 2006, após décadas de violência política.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou em nota divulgada na segunda-feira para uma onda global de protestos contra o preço dos alimentos, lembrando que distúrbios semelhantes já ocorreram em vários países da África e na Indonésia.

'Um novo rosto da fome está surgindo; mesmo onde há comida disponível nas prateleiras, há cada vez mais pessoas que simplesmente não podem adquiri-la', afirmou a diretora da entidade, Josette Sheeran.

A tensão permanece elevada em Les Cayes, uma das maiores cidades do Haiti. Houve um tiroteio na segunda-feira quando manifestantes tentaram invadir a casa do senador Gabriel Fortune, e dois homens ficaram feridos, segundo uma autoridade local. Um desses homens acabou morrendo no hospital.

'O governo é o único responsável pelo que está acontecendo hoje, porque não tratou adequadamente dos problemas', disse no domingo o morador Maxon Benoit.

'Por que não eliminam impostos sobre os produtos alimentícios e dão um alívio à população?'

O prefeito de Les Cayes, Yvon Chery, foi atacado no domingo por manifestantes do bairro litorâneo de La Savane, aonde havia ido explicar medidas adotadas contra os distúrbios.

Moradores dizem que é a pior onda de violência em Les Cayes nos últimos anos.

'Que vergonha para nós, habitantes desta cidade conhecida por sua calma, hospitalidade e civilidade', disse Marie Jeanne Occeant, 45 anos. 'É verdade que a situação é insustentável.

Nunca na minha vida tantas dificuldades, mas a violência só vai piorar as coisas.'

No fim de semana, forças da ONU e do Haiti libertaram as ruas de Les Cayes, onde antes havia barricadas com pneus em chamas e carcaças de carros.

'Reforçamos nossos contingentes policiais com unidades especializadas vindas de Porto Príncipe e um novo batalhão de soldados brasileiros também chegou para dar apoio', disse Henriot Toussaint, chefe de política da região sul do país.

'Temos a situação sob controle', afirmou.

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