Protestos no Haiti deixam vários feridos

Porto Príncipe, 8 abr (EFE) - As violentas manifestações registradas hoje na capital do Haiti, onde milhares de pessoas foram às ruas em protesto contra os elevados preços dos produtos de consumo em massa, deixaram um número indeterminado de feridos, entre eles dois cinegrafistas.

EFE |

No centro de Porto Príncipe ocorreram os incidentes mais violentos, com a destruição e saque de lojas e bancos e a queima de um veículo militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), conforme pôde comprovar a Agência Efe.

As forças de segurança precisaram dar tiros para o alto para dispersar as pessoas que tentaram entrar no Palácio Nacional, onde foram registrados estragos na cerca externa.

No local, o cinegrafista Leblanc Makenzy foi baleado, enquanto em Sant Marc (centro) o fotógrafo Jean-Jacques Augustin, do jornal "Le Matine", foi atingido por tiros, segundo as autoridades.

Os protestos, que deixaram cinco mortos nos últimos dias, se estenderam até o bairro nobre de Pentionville, na periferia leste de Porto Príncipe, onde desconhecidos invadiram o estacionamento do jornal "Le Matine" e destruíram vários veículos.

Outro grupo atacou os escritórios da estatal Seguros Nacional para Aposentados (ONA).

A situação de violência obrigou o presidente haitiano, René Préval, a convocar uma reunião de emergência com vários de seus principais funcionários.

"O Governo deve tomar medidas políticas e econômicas que ajudem a restabelecer a situação", disse a jornalistas o presidente do Senado haitiano, Kelly Bastien.

Em Fréres, uma das principais ruas de Porto Príncipe, um veículo militar da Minustah foi queimado, enquanto grupos de manifestantes armados com paus e pedras tentaram saquearam várias lojas em outra via central.

Os distúrbios foram condenados pelo ministro da Segurança Pública, Luc Euchere Joseph, que qualificou a violência de "inaceitável" e pediu à população retornar a suas casas "para que a Polícia identifique e detenha os bandidos" que causam as desordens.

Enquanto isso, o diretor da Polícia, Mario Andresol, afirmou à imprensa que seus homens estão tomando medidas para trazer completa segurança à tumultuada região de Sant Marc.

Ao entrar a noite, a maioria dos bairros centrais de Porto Príncipe estava praticamente deserto.

O presidente da Câmara de Comércio do país, Jean Roberd Arguand, expressou sua preocupação com a situação e pediu que Préval se pronuncie sobre o assunto.

"Entendemos que o povo tem fome, mas não é assim que vamos resolver os problemas", declarou.

Roberd Arguand sugeriu como primeira medida a eliminação de alguns impostos aos produtos de primeira necessidade, já que, disse, vários dos encargos "vão direto ao Estado".

Os protestos contra o alto custo da vida no Haiti, o país mais pobre da América, também incluíram as cidades de Petit Goave e Les Cayes, no sul, e Jeremie, no sudoeste. EFE gp/db

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